Fórmula 1

Respostas para a F-1 de 2017, só quando o Carnaval chegar

A principal categoria do automobilismo terá carros quase inteiramente novos este ano, o que torna impossível qualquer previsão

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

2/01/2017, 23:25:18

Com a quase completa reformulação dos carros – apenas os motores turbos híbridos permanecem – para o Mundial deste ano da Fórmula-1, prever quem estará dando as cartas em 2017 é puro exercício de adivinhação. Qualquer previsão será mero chute. A nova realidade só começará a ser conhecida a partir dos primeiros testes da pré-temporada, no final de fevereiro – mais precisamente, na segunda-feira de Carnaval.

A principal categoria do automobilismo, como tudo na vida, vive de ciclos. Partindo apenas das duas transformações radicais mais recentes do regulamento técnico da F-1, se observa um ponto em comum: o comando do campeonato mudou de mãos.

Em 2008, a Ferrari e a McLaren dividiam tudo, vitórias e títulos. Para o ano seguinte, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) resolveu promover profundas mudanças na configuração dos carros, além de trazer de volta os pneus slicks – lisos, sem ranhuras.

As alterações se mostraram tão radicais que o domínio da categoria passou para uma equipe completamente nova no circo, a Brawn, um time montado às pressas pelo engenheiro inglês Ross Brawn, que esteve por trás de todos os sete títulos de Michael Schumacher, dois na Benetton, cinco na Ferrari. Da equipe anterior, a Honda, Brawn manteve apenas os dois pilotos, o inglês Jenson Button e o brasileiro Rubens Barrichello.

No primeiro dia de treinamentos da pré-temporada de 2009, apareceu um carro todo branco, sem patrocínios. No final do dia, Felipe Massa, então na Ferrari e vice-campeão do mundo atrás do inglês Lewis Hamilton, da McLaren, disse, para espanto de todos: “a Brawn é a equipe a ser batida neste ano”. O tempo se encarregou de dar razão para o piloto brasileiro.

Brilhante engenheiro e estrategista, Ross Brawn enxergou uma brecha no novo regulamento e inventou o chamado “difusor soprado”. A grosso modo, a peça colocada na extremidade traseira do carro recebia os gases do escapamento e ajudava na estabilidade nas curvas, algo primordial para um bólido de corrida. Quando as outras equipes copiaram o dispositivo, já era tarde. Button tinha colecionado vitórias na primeira parte do campeonato que ajudariam o inglês a levantar o título no fim do ano.

Em 2013, a Red Bull e o alemão Sebastian Vettel “mandavam prender e soltar” na F-1, com quatro campeonatos conquistados em sequência. A FIA então resolveu mudar tudo de novo, recolocando o motor turbo na categoria, em detrimento dos propulsores aspirados. Diferentemente, no entanto, dos turbos utilizados nos primeiros anos do Mundial e nas décadas de 70, 80 e 90, os de agora ganharam a modernidade da tecnologia híbrida – união de um motor a combustão e um (ou mais) elétrico.

Qual era a grande especialista nesse tipo de tecnologia? A alemã AMG, divisão esportiva da Mercedes-Benz e comandante da equipe Flecha de Prata da F-1. Não deu outra! Com um canhão empurrando os carros germânicos, Hamilton e o alemão Nico Rosberg literalmente não viram adversários em outras escuderias nos últimos três campeonatos. Não que o bólido da Mercedes fosse um “carro de outro planeta”, mas tinha uma poderosa unidade de potência, bem superior à dos inimigos.

Agora, a FIA altera as regras outra vez, mexendo substancialmente no desenho dos carros, trazendo os pneus traseiros mais largos, como os usados do final dos anos 60 até início dos 90. Na teoria, os carros estarão cerca de cinco segundos mais rápidos em 2017, uma eternidade para uma “barata” de corrida.

Portanto, é muito arriscado, ou, mais, irresponsável se fazer uma previsão para a temporada que se inicia no dia 26 de março na Austrália. Entretanto, com alguma lógica – mínima – e um tanto de chute, poderia-se colocar a Mercedes e Hamilton (sem a companhia indigesta do campeão aposentado Rosberg) ainda entre os protagonistas, porque o motorzão será o mesmo, a Red Bull, por ter o mago projetista Adrian Newey e o australiano Daniel Ricciardo e o holandês Max Verstappen ao volante, e a Ferrari, por ter o tetracampeão Sebastian Vettel com muita sede, mas principalmente pelo grande puxão de orelhas recebido do presidente da companhia, Sergio Marchionne, pelo péssimo campeonato feito em 2016.

Mas é puro exercício de adivinhação, por enquanto. Quem pode garantir que uma Force India da vida não vá “aprontar” a partir de 27 de fevereiro?

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