Fórmula 1

Por que as provas da Fórmula 1 em Interlagos são sempre boas?

Sebastian Vettel vence a “corrida invisível" e Lewis Hamilton, a "corrida da galera"

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

hamilton interlagos 2017 Fórmula 1
14/11/2017, 0:24:01

Até o final dos anos 80, o Autódromo de Interlagos tinha a pista mais seletiva do mundo, com pouco menos de 8 quilômetros de extensão, abrigando a longa curva 1 – feita com “pé cravado” só por quem tinha muita coragem ou nenhum juízo -, uma gigantesca e quase interminável reta oposta – que hoje serve apenas de apoio para as arquibancadas populares do Setor G -, a curva 3 – de tão longe da área dos boxes, “ficava mais próxima a Santos do que do aeroporto de Congonhas” -, o Mergulho da Ferradura, as curvas do Sol e do Sargento e o Laranja, “pai” do Laranjinha de hoje.

Embora tenha recebido o fascinante S do Senna – um conjunto de curvas ladeira abaixo – e ficado com a reta da Subida dos Boxes, o circuito surgido em 1989 é um porre. Curto, chato e pouco desafiador, a não ser pelo próprio S do Senna e do Laranjinha.

Então, por que as corridas no Interlagos novo geralmente são boas? O GP do Brasil disputado no último domingo foi, tecnicamente, o melhor da temporada, já vencida por Lewis Hamilton. Particularmente sobre a prova do fim de semana passado, voltaremos a falar mais tarde.

Historicamente, alguns fatores específicos deixam a etapa brasileira mais interessante para quem às assiste, seja no autódromo ou pela televisão. Dois são os mais importantes, sendo que o primeiro motivo não se fez presente na edição do GP do Brasil deste ano: a chuva.

Se São Paulo é a Terra da Garoa, a Zona Sul, aonde fica localizado o autódromo, é a Terra das Enxurradas Diluvianas. O complexo das barragens vizinhas a Interlagos, e que dão o nome ao circuito, “capitaneado” pela Represa de Guarapiranga, é um verdadeiro produtor de chuvaradas, quase sempre surgidas de uma hora para outra, deixando atônitos os técnicos do serviço de meteorologia das equipes.

O GP de 2008, aquele do primeiro título de Hamilton, ganho nos 500 metros finais da corrida, foi tão emocionante que levou o velho dono da F-1, Bernie Ecclestone, a pensar na ideia de molhar artificialmente todas as pistas do calendário. A proposta, naturalmente, não foi levada a sério!

O outro fator que torna as provas em Interlagos bonitas de se verem reside em um de seus defeitos: a pouca extensão do traçado. Com os carros da F-1 cada vez mais rápidos, a pole position deste ano ficou na casa de um minuto e oito segundos, com os tempos de diferença entre os carros muito pequenos. Some-se a isto o fato de o Hamilton ter escapado da pista no Laranjinha na abertura do treino classificatório, caindo para o último lugar no grid, a festa ficou completa.

A prova de domingo reuniu todos estes ingredientes, menos a chuva de Guarapiranga. Partindo dos boxes, com motor novo, Hamilton garantiu o espetáculo no quesito ultrapassagens. Na primeira corrida da F-1 com dois tetracampeões na pista – Hamilton e Sebastian Vettel – e o outro no comando da equipe Renault – Alain Prost -, o inglês da Mercedes talvez tenha esgotado todo seu repertório de ultrapassagens, completando em quarto lugar e só não subindo ao pódio porque seus pneus foram para o espaço nas três voltas finais.

O outro tetra, Vettel, e a turma da frente travaram uma “corrida invisível”, no cronômetro, volta a volta, desde que o alemão da Ferrari superou o pole position Valtteri Bottas na freada do S do Senna, na largada. Essa corrida invisível não agrada aos torcedores, mas é um prato cheio para quem gosta dos detalhes do automobilismo.Durante 71 voltas, eles prenderam a atenção das equipes e dos aficionados por uma boa disputa. Vettel ganhou a prova cerebral, mas Hamilton venceu a corrida da galera.

E Interlagos foi o “set de cinema” da superprodução.

 

vettel interlagos 2017 Fórmula 1

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