Paddleboard

Patrick Winkler – Com as próprias mãos

No paddleboard, que não utiliza remos, atleta carioca cresce em torneios internacionais e ajuda a construir sua desconhecida modalidade no Brasil

Autor: Luiz Humberto Monteiro Pereira
Fotos: Carla Falleiros

Patrick Winkler, top 10 no Mundial de paddleboard
7/10/2017, 21:27:11

O carioca Patrick Winkler tem 39 anos, mora em São Paulo e é formado em administração de empresas pela Universidade Mackenzie, com pós-graduação em gestão do esporte pelo Instituto Trevisan. Sempre foi ligado à natação. Foi atleta competitivo – especialista em provas de meio fundo nos nados livre e borboleta –, fundou o Swim Channel, que gera conteúdo editorial e produz eventos ligados ao esporte, e é diretor de marketing da Swim Sales, empresa de artigos para nadadores. Conheceu o paddleboard em 1999, na Austrália, e trouxe a prancha do esporte que utiliza apenas as mãos na remada para o Brasil. Em 2011, passou a praticar o stand up paddle, que usa um remo, na raia da USP, na capital paulista. Logo depois, retomou a remada manual – e não parou mais. Em setembro desse ano, finalizou no Top 10 a prova de paddleboard long distance, de aproximadamente 20 km, do ISA Games 2017, o Campeonato Mundial organizado pela International Surf Association (ISA) em Copenhagem, na Dinamarca. “O ano de 2017 fica na história da minha vida pessoal. Depois de finalizar a famosa Molokai to Oahu, a maior travessia de paddleboard do mundo, estar entre os dez melhores do Mundial, na Dinamarca, é para celebrar muito. O resultado é do Brasil e espero que isso também ajude à incentivar novos prones paddlers no país”, explica Winkler, que tem como patrocinadores a Ítaca Esportes, Tomtom GPS, Mormaii, protetor solar Suntech Gryp System, Cia Athletica e Probiotica.

 

Esporte de Fato – Como o paddleboard surgiu na sua vida?

Patrick Winkler – Em 1999, fui morar por um ano em Sydney, na Austrália, por causa da natação e para melhorar meu inglês. Meu técnico, ao término dos treinos nos fins de semana, me incentivou a remar de paddleboard na praia de Manly. No meu retorno para o Brasil, eu trouxe a prancha comigo e a deixei em Ubatuba. Remei por poucas vezes, entre 2000 e 2010, e, em 2011, motivado também pelo stand up paddle, passei a me dedicar intensamente ao paddleboard.

 

Esporte de Fato – Quais são as características da modalidade?

Patrick Winkler – O paddleboard nada mais é do que a tradicional remada de prancha. Pode ser realizada de duas maneiras: posição pronada (de joelho e com braços simultâneos) e posição deitada (com os braços alternados). No Brasil, a modalidade vem apresentando números interessantes de crescimento, principalmente nos últimos 3 anos. Podemos dizer que a quantidade de eventos triplicou no Brasil nos últimos três anos. Os mais famosos são Aloha Spirit Festival, King of Paddle, Kialoa Paddle, e os eventos da CBsup. As principais competições internacionais são: Molokai to Oahu (a mais famosa de todas), o ISA Games (que é o campeonato mundial) e o Catalina clássica, que é a prova mais tradicional do mundo, com 60 edições.

 

Esporte de Fato – Como foi sua evolução no esporte?

Patrick Winkler – Fiz um forte trabalho na natação por três décadas. Além disso, sempre pratiquei esportes no mar, como o surfe e o stand up paddle. Portanto, minha ascensão no paddleboard aconteceu de forma linear, porém rápida. No México, em 2015, terminei o Mundial na 19ª colocação. Em  2017, me tornei o primeiro brasileiro residente no país a completar a Travessia Molokai to Oahu; fui eleito pelo Aloha Spirit como o destaque da modalidade no país; me tornei o primeiro atleta de paddleboard a realizar a travessia W2Dowind no Ceará (mais longa e principal prova de Downwind no Brasil) e ainda fui bicampeão do King of Paddle. Em setembro, terminei o Mundial no Top 10.

 

Esporte de Fato – O que diria a alguém que quisesse se iniciar no paddleboard hoje?

Patrick Winkler – Não tem segredo. Basta procurar uma prancha específica de paddle e começar a remar. Logicamente que uma pessoa que já está na água, praticando natação, surfe, canoa ou stand up paddle, terá mais mais facilidade. Mas, na verdade, é uma modalidade fácil de ser praticada.

 

Esporte de Fato – Quem é a grande “fera” dentro da modalidade?

Patrick Winkler – Sem duvida, a maior referência é Jamie Mitchel, da Austrália, atleta que venceu a travessia Molokai to Oahu por dez vezes consecutivas.

 

Esporte de Fato – Como é sua rotina de treinamentos?

Patrick Winkler – Treino paddleboard treino na raia da USP sob orientação de Alessandro Materoa, que é pioneiro do stand up paddle no Brasil, no horário de almoço. Treino natação e musculação na Cia Athlética no horário noturno. Nos finais de semana treino no litoral paulista, principalmente Ubatuba e Guarujá.

 

Esporte de Fato – Quais são as próximas provas que pretende disputar?

Patrick Winkler – Para 2018, meu foco é o Canal de Catalina e o Pacific Paddle Games, ambas na Califórnia.

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