Escalada esportiva

Patrícia Antunes – Esporte em ascensão

Atual campeã brasileira nas modalidades boulder e overall, atleta mineira vive o sonho olímpico da escalada esportiva

Autor: Luiz Humberto Monteiro Pereira
Fotos: Bruno Senna

Patrícia Antunes, da escalada esportiva, em foto de Bruno Senna
23/01/2018, 3:39:38

A estreia da escalada esportiva como esporte olímpico nos Jogos de Tóquio, em 2020, mexe com as emoções dos atletas da modalidade – gente, por definição, acostumada com emoções fortes. “É fenomenal! É um esporte completo, possui muitos adeptos e já existe há anos. Virar categoria olímpica é a maior conquista para um esporte. Já era hora da escalada esportiva ter esta oportunidade de ouro, mesmo que ainda seja como demonstração”, vibra a mineira Patrícia Antunes, de 32 anos, campeã brasileira nas especialidades boulder e overall. Formada em Relações Públicas, a empresária de Belo Horizonte é uma fã incondicional da escalada, que conheceu há dez anos. “É um esporte sem fronteiras, sem barreiras, qualquer um pode praticar. No ambiente da escalada, você encontra um clime de amizade, um quer sempre ajudar o outro, pois afinal não se escala sozinho. É um momento de descontração, de desafios e de enfrentar os medos de forma coletiva!”, acredita a atleta que não tem patrocinadores, mas é apoiada pelas empresas Rokaz Escalada, Ativar Studio Pilates, Five Ten, 4 Climb, Café Américo, Tide Bites e a Club Life to Go.

 

Esporte de Fato – Como se iniciou na escalada esportiva?

Patrícia Antunes – Comecei tarde, aos 22 anos. Uma amiga me levou para escalar na Rokaz Escalada, em Belo Horizonte, onde moro. Fiz outros amigos, senti muita afinidade com o esporte e comecei a desenvolver rapidamente. Em pouco tempo já estava trocando as festinhas, cineminha e outros programas de final de semana por viagens curtas para os picos de escalada que rodeiam BH. Logo no segundo ano de escalada, já comecei a participar de competições regionais e vi que aquele tipo de disputa era algo saudável e muito prazeroso. Comecei a ter destaque logo cedo, me colocando entre as primeiras. Em 2012, fiz um teste para a equipe de atletas da academia e fui selecionada. Eles ofereciam todo o suporte para treinar: técnico, preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista, ortopedista, psicólogo esportivo e o centro de treinamento. Foi aí que vi que tinha talento realmente, pois me identifiquei com a rotina de treinamentos, misturada ao lazer que era estar ali no mesmo espaço escalando com amigos e ainda poder escalar na rocha aos finais de semana. Sou apaixonada pelo esporte, mas infelizmente não vivo somente dele ainda. Este é meu objetivo, mas é preciso fazer um trabalho árduo para que empresas enxerguem o potencial da escalada e invistam nos atletas.

 

Esporte de Fato – Quais são as possibilidades da escalada esportiva brasileira estar nos Jogos Tóquio 2020? 

Patrícia Antunes – Conforme os campeonatos que realizamos em 2017, foi formada uma comissão de atletas brasileiros. Fomos classificados de acordo com as colocações nas competições. Esta nova fase servirá de combustível para nos incentivar a trabalharmos ainda mais. Teremos muitas oportunidades de agora em diante e acredito muito nesse time. Nossas chances são grandes de comparecer nos Jogos Tóquio 2020!

 

Esporte de Fato – No circuito nacional e mundial, quais são as suas próximas competições?

Patrícia Antunes – Em abril, terei o Campeonato Brasileiro de Boulder, aonde defenderei o título, e em outubro será o Campeonato Brasileiro de Dificuldade. Em março, competirei no TNF de Boulder, em Santiago, no Chile. A partir de junho, está prevista a participação dos atletas da seleção no circuito da Copa do Mundo e Campeonato Mundial, que terão diversas datas e localidades. No final de outubro e início de novembro, estão previstas as etapas de Boulder e Dificuldade do Campeonato Mineiro, aonde também defenderei os dois títulos.

 

Esporte de Fato – O que deveria ser feito para que a escalada esportiva se desenvolvesse mais no Brasil?

Patrícia Antunes – É preciso maior divulgação do esporte pelas grandes mídias, maior inserção de crianças e adolescentes para que se crie uma cultura de escalada, investir em centros de treinamentos e locais públicos para que a escalada se torne mais acessível. Acredito também no investimento no turismo de escalada, que é algo que venho fazendo. Percebo que existe muita potencialidade e quase nenhuma oferta.

 

Esporte de Fato – Qual é seu local predileto para a escalada?

Patrícia Antunes – No Brasil, é a Serra do Cipó. É o pico aonde conheci o universo outdoor e me traz excelentes lembranças, além de ter um catálogo com mais de 400 vias e alguns boulders. Por esse mundo afora, o que mais me cativou foram os picos na França, principalmente Ceüse em Gap. Mas Fontain Bleu também tem um lugar no meu coração!

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