World Para Athletics Championships

Mundial de Atletismo Paraolímpico/ Londres 2017 – Brasil fica em nono, com 8 ouros

Atletas paraolímpicos brasileiros repetem a quantidade de medalhas de ouro conquistadas em Doha 2015, mas ficam com metade das pratas e bronzes

Autor: Catarina Kreitlon Pereira
Fotos: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB

PetrucioR Ferreira atletismo paraolímpico
24/07/2017, 0:15:18

Com a participação de 100 países, a cidade de Londres sediou a oitava edição do Mundial de Atletismo Paraolímpico. Entre os dias 14 e 23 de julho, cerca de 1.300 atletas disputaram 213 medalhas na capital inglesa. Ao terminar na nona colocação no quadro geral de medalhas, com 8 ouros, 7 pratas e 6 bronzes, o Brasil perdeu duas posições em relação ao último Mundial, realizado em Doha, em 2015. Na capital do Catar, foram conquistadas 8 medalhas de ouro, 14 de prata e 13 de bronze. Na edição de 2017 dos World Para Athletics Championships, China e os Estados Unidos garantiram as primeiras colocações.

 

Entre os brasileiros, o grande destaque em Londres foi o paraibano Petrúcio Ferreira. Após queimar a largada nos 400 m da categoria T47 – para amputados abaixo do cotovelo –, encerrou sua participação com duas medalhas de ouro e dois novos recordes mundiais. Nos 200 m, fez o tempo de 21.21s, e nos 100 m, ganhou com folga em 10.53s. Nas mesmas competições, o alagoano Yohansson Nascimento garantiu a prata. “Eu sempre estive focado e motivado para os 200 m e o que aconteceu nos últimos dois dias (com a desclassificação nos 400 m) apenas me motivou ainda mais a dar o meu melhor nos 200 m. Eu sabia que estava em forma, mas não sabia que eu podia ir tão rápido”, comemorou Petrúcio. Além dos velocistas na categoria T47, ainda nas pistas, o paulista Daniel Martins da T20 (paralisia cerebral), conquistou o ouro nos 400 m. O rondoniense Mateus Evangelista conquistou mais uma medalha de ouro para o Brasil ao correr os 100m em 11.48s, e uma de prata nos 200 m na T37 (paralisia cerebral). Após superar uma lesão na coxa direita, o mineiro Rodrigo Parreira conseguiu o bronze nos 200 m na T36 (paralisia cerebral).

 

Nas provas de salto, Mateus Evangelista e Rodrigo Parreira deixaram a competição com mais duas medalhas de prata no salto em distância. “Eu não consigo entender os meus sentimentos agora. Ganhar o bronze é como ganhar o ouro para mim, porque para mim eu não esperava ganhar nada, para falar a verdade”, celebra Rodrigo. Durante o mundial, a rivalidade criada entre Lex Gillette e Ricardo Costa nas competições recentes se manteve. Após deixar o norte-americano com a prata nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, no Mundial de Londres o brasileiro queimou quatro saltos na categoria T11 (para atletas totalmente cegos), ficando com a marca de 6,21m e a medalha de bronze. “A minha corrida oscilou bastante durante a prova, porque eu tentei ser um pouco mais veloz, e isso ocasionou a queima de quatro dos meus saltos. Tenho convicção de que qualquer um deles teria me dado a medalha de ouro. Eu estou voltando para casa muito satisfeito, porque sei que fiz o meu melhor, independente do resultado. O bronze está ótimo e é minha primeira medalha em um Mundial”, avalia Ricardo.

 

Já nos arremessos, o paulista Thiago Paulino conquistou sua segunda medalha de ouro na categoria F57, para atletas cadeirantes, após atingir 46.58 m. A primeira veio do arremesso de peso, prova na qual conseguiu a marca de 14.31 m. “Eu estava nervoso hoje porque sabia que tinha oponentes difíceis. Você tem que dar o seu melhor mas também esperar para ver o que o adversário vai fazer. Eu estava ansioso com isso”, explica Thiago. Outro brasileiro que também se destacou na modalidade foi o paulista André Rocha. Competindo na categoria T52, para cadeirantes com mobilidade nos membros superiores, quebrou o recorde mundial ao atingir 23.80 m. Na categoria F11 (deficiência visual), o também paulista Alessandro Silva arremessou 43.32 m e garantiu mais um ouro nos arremessos. O próximo Mundial de Atletismo Paraolímpico vai acontecer em 2019 e o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) divulgará a sede até setembro desse ano.

 

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