Curling

Marcelo Mello – No calor do gelo

Capitão da seleção brasileira de curling sonha em ver seu esporte crescer no Brasil

Autor: Luiz Humberto Monteiro Pereira
Fotos: Divulgação/CBDG

Curling esporte
26/12/2017, 15:43:20

O curling é uma espécie de bocha sobre o gelo. O objetivo é lançar pedras de granito o mais próximo possível de um alvo. Para corrigir a trajetória do deslizamento das pedras, os jogadores esfregam o gelo com vassouras e “limpam” o caminho à frente delas, para que se aproximem mais do alvo. É um esporte cerebral, onde muitos jogadores de ponta não apresentam um perfil atlético e há bastante longevidade – é comum encontrar jogadores de alto nível com 50 anos. “O jogo exige um raciocínio muito grande”, explica o gaúcho Marcelo Mello, de 46 anos, capitão da seleção brasileira de curling, que já representou o país em cinco campeonatos mundiais nas modalidades misto e de duplas mistas.

Marcelo conheceu o curling há dez anos, quando foi fazer mestrado em gestão empresarial no Canadá, onde fixou residência na cidade de Sherbrooke. É também no Canadá, país onde mais se pratica o curling no mundo, que vivem quase todos os brasileiros que praticam o esporte. Até o campeonato brasileiro é disputado lá, já que não existem pistas de curling no Brasil. De 11 a 13 de janeiro, Marcelo e a seleção brasileira de curling vão participar de um desafio contra o Canadá, em Ontário. Esse desafio definirá o segundo classificado do continente americano no Campeonato Mundial. Embora o Canadá seja obviamente favoritíssimo, a participação neste desafio representa um marco histórico para o curling brasileiro. “Plateias de 20 mil pessoas devem estar presentes ao evento. Apesar de já termos participados de vários campeonatos mundiais de duplas e misto, creio que está será a maior exposição que o curling brasileiro jamais teve”, comemora Marcelo, que também é comentarista de curling nos canais SporTV.

 

Esporte de Fato – Como o curling surgiu na sua vida?

Marcelo Mello – Foi depois que me mudei para o Canadá, em 2006. Em 2007, meu amigo Celso Kossaka descobriu o curling por acaso, levando o filho em jogos estudantis no Québec. Quando voltou, nos convidou para irmos experimentar. E nos apaixonamos pelo esporte!

Esporte de Fato – Quais são as características principais do curling?

Marcelo Mello – É um esporte que conjuga muitas disciplinas, como a bocha (mesmo principio de jogo), a sinuca (os ângulos), o xadrez (na parte estratégica) e ainda outras valências importantes como o trabalho de equipe, a comunicação, o preparo físico e mental. Ele se pratica no gelo, com equipes de quatro jogadores do mesmo sexo, misto (dois homens e duas mulheres) ou ainda nas duplas mistas (um homem e uma mulher). A modalidade no Brasil ainda é relativamente nova, tendo começado em 2008 com um grupo de brasileiros em Sherbrooke, e que disputou sua primeira competição internacional em 2009. A principal e única competição nacional é o campeonato brasileiro de duplas mistas, que existe desde 2015. Já no âmbito internacional, os mundiais da categoria (anuais), os Jogos Olímpicos de Inverno e a Copa dos Continentes (Continental Cup) são os torneios mais importantes.

 

Esporte de Fato – O que poderia ser feito para que o curling ganhasse mais popularidade no Brasil?

Marcelo Mello – Sem dúvida, a construção de uma arena de curling no país. Até agora, todos os atletas que praticam moram no exterior, pela inexistência de pistas no Brasil. Apesar disto, dentro do possível, o esporte tem uma boa popularidade, que começou sobretudo a partir de 2010 com a transmissão do Curling nas Olimpíadas de Inverno de Vancouver, onde foi o terceiro esporte mais visto de todos os jogos.

 

Esporte de Fato – Quais foram seus resultados mais expressivos?

Marcelo Mello – O Brasil ainda não tem resultados significativos no âmbito mundial pelo pouco tempo que tem no esporte e pelo número reduzido de atletas que temos no total (menos de 50 jogadores ativos). Pessoalmente, tenho o maior número de jogos pela Seleção Brasileira de Curling (49 jogos), a primeira participação e vitória em Campeonato Mundial (em duplas mistas e em curling tradicional misto), além do vigésimo-nono lugar no campeonato mundial de 2015. Também disputei cinco campeonatos mundiais da modalidade e fiz parte também da primeira equipe do Brasil, sendo um dos quatro pioneiros do curling nacional.

 

Esporte de Fato – É possível viver do curling?

Marcelo Mello – Eu não tenho patrocinadores fixos, às vezes conseguimos alguns pequenos patrocínios para as equipes que formamos para campeonatos mundiais. Ainda não temos uma consolidação do esporte no Brasil. Mesmo em âmbito mundial, não existem muitas equipes/atletas que são capazes de viver somente do esporte, pois a modalidade não movimenta cifras milionárias como outros esportes populares no mundo. No Canadá, que é o principal país da modalidade, existem atletas de elite que conseguem viver do esporte, através dos programas de alto rendimento e de patrocinadores, bem como em alguns países da Europa, como a Suécia, Suíça e Escócia.

 

Esporte de Fato – Além do curling, quais são suas atividades?

Marcelo Mello – Eu moro em Sherbrooke, na província do Québec, no Canadá, desde 2006. Fiz o processo de imigração para fazer um mestrado em gestão na Universidade de Sherbrooke, gostei e acabei ficando. Atualmente trabalho na área administrativa da Sherbrooke Housing Bureau, uma instituição para-pública que gere um parque imobiliário de moradias destinadas a famílias de baixa renda. Além do curling, eu gosto muito de esportes em geral, tênis, futebol, corrida e trabalho ainda com algumas atividades relacionadas ao Curling, como clínicas, consultoria e comentário esportivo.

 

Esporte de Fato – Quais são as próximas provas que pretende disputar?

Marcelo Mello – A próxima grande competição será a Challenge Cup 2018 (Desafio das Américas), que será realizado no Canadá junto com um dos mais prestigiosos torneios do Curling Mundial que é a Continental Cup. As principais equipes do mundo se juntam para uma disputa entre a América do Norte e o resto do Mundo. Lá, a seleção brasileira terá um público que jamais teve.

 

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