Fórmula 1

Lewis Hamilton – História escrita com retas e curvas

Piloto inglês conquista o campeonato mundial de Fórmula 1 no GP do México e começa a definir sua importância na História da modalidade

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Lewis Hamilton campeão mundial de Fórmula 1 em 2017
30/10/2017, 23:21:53

Em escala mundial, a Inglaterra é o berço de três importantes esportes: o futebol, o tênis e o automobilismo. Embora a primeira competição que se tem notícia tenha sido, ainda no Século 18, entre um carro da Renault e um burro – com vitória do animal –, o mundo a motor se desenvolveu mesmo nas garagens de fundo de quintal no Reino Unido.

Em termos de títulos na Fórmula 1, apesar de ter o maior número de canecos, a Inglaterra chegou a um tetracampeonato de pilotos somente no último fim de semana, com Lewis Hamilton, no GP do México. A marca já tinha sido atingida com o argentino Juan Manuel Fangio (cinco títulos no total), os alemães Michael Schumacher (sete ao todo) e Sebastian Vettel e o francês Alain Prost.

Na corrida de domingo passado, no circuito Hermanos Rodriguez, Hamilton precisava apenas de um quinto lugar para garantir o título. No entanto, colocado na terceira posição no grid, o inglês da Mercedes disse que atacaria na largada para buscar mais uma vitória. Foi o que fez. Aproveitando a abertura de porta proporcionada por Max Verstappen, da Red Bull, que passou o pole Vettel na curva 1, Hamilton superou também o rival alemão.

Na sequência, Vettel bateu na roda traseira esquerda da Mercedes, danificando seu bico e furando o pneu do oponente. Verstappen foi embora para chegar ao topo do pódio, e os dois inimigos de pista tiveram de parar nos boxes, caindo para o fim do pelotão. A partir daí, o tetra de Hamilton passava a ser uma questão de tempo. Vettel fez uma prova espetacular de recuperação, terminando em quarto, e Hamilton apenas passeou aguardando a taça de campeão da temporada ser grafada com seu nome.

Dois dos integrantes do Clube do Tetra estão em atividade, no auge de suas carreiras e em equipes protagonistas. Vettel tem 30 anos, Hamilton, 32. Por curiosidade – os tempos eram outros, naturalmente –, Fangio tinha 40 anos quando conquistou seu primeiro campeonato.
O ser humano não consegue dar a real dimensão enquanto a História está sendo contada. A maior tragédia do planeta, por exemplo, a Segunda Guerra Mundial, não era quantificada por quem a viveu naqueles tristes anos de 1939 a 1945, fosse no front da batalha, fosse no resto do mundo. Não precisamos ter estado naquela época para sabermos disto.

Vettel e, especialmente, Hamilton estão escrevendo a história da Fórmula 1 diante de nossos olhos. Entretanto, não costumamos dar-lhes o verdadeiro valor. Daqui a um punhado de anos, as estatísticas mostrarão que houve um piloto inglês, o primeiro e único negro na principal categoria do automobilismo, que cismou de ir atrás de todos os recordes de Schumacher.

Hamilton é uma máquina de vencer! Como piloto, foi adotado e criado na Escola de Talentos da McLaren desde os 11 anos. Estreou na Fórmula 1 a bordo de um carro da equipe inglesa em 2007, dividindo as atenções do time com o espanhol Fernando Alonso, o atual bicampeão de então. Só não foi o primeiro campeão no ano de estreia devido a dois erros de principiante – que de fato era – nas corridas decisivas.

Conquistou seu primeiro campeonato no ano seguinte e continuou sua trajetória vitoriosa na equipe que o adotou, parecendo ser um casamento eterno. No final de 2012, assombrou o circo anunciando sua ida para a Mercedes, para ocupar o lugar de Schumacher. Sempre procurando o lugar certo, Hamilton provaria que tinha razão para a troca.

Em uma das primeiras etapas de 2013, o agora tetracampeão foi fazer um pit stop e parou seu carro no box da McLaren, deixando incrédulos os mecânicos ingleses, que gentilmente se limitaram a dizer que ele estava no espaço errado e apontando para o box da Mercedes. Nada mais natural!

Em 2014, com os modernos motores turbo-híbridos – uma especialidade da fabricante da estrela de três pontas -, passou a pilotar a Flecha de Prata imbatível, ao lado do alemão Nico Rosberg. Ganhou dois títulos e perdeu um. O terceiro na Mercedes – quarto de sua carreira – foi vencido contra um oponente poderoso de outra escuderia. Tirando as mancadas da Ferrari na última parte do campeonato, o ano de Vettel pode ser considerado brilhante, o que só fortalece o título de Hamilton.

O primeiro inglês tetracampeão do mundo está escrevendo a história da Fórmula 1. Saberemos o real significado desta glória daqui a alguns anos.

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