Games & Sports

“Handicap” gera polêmica no FIFA 17

O limite entre a bricandeira de criança e o jogo de gente grande

Autor: Marcelo Iglesias (contato@gamecoin.com.br)
Fotos: Divulgação

Handicap gera polêmica no Fifa 2017
27/03/2017, 0:04:24

Um antigo abalo voltou a estremecer o universo gamer. Jogadores do FIFA 17 postaram recentemente no ambiente de postagens Reedit um artigo em que acreditam que o game da EA Sports conta com uma espécie de código que poderia alterar os parâmetros de dificuldades para elevar o desempenho do jogador que estivesse perdendo a partida. Para comprovar a existência do chamado “handicap” (desvantagem), os autores da “denúncia” exibiram inclusive a imagem de uma extensão de código que supostamente seria capaz de fazer a manipulação (foto abaixo). Não é a primeira vez que a teoria do “handicap” sacode a comunidade de jogadores de FIFA Soccer. E mais uma vez a Electronic Arts nega veementemente que exista tal maracutaia no game.

 


Sem querer sair em defesa da EA – mesmo porque, ela já remunera muita gente para isso –, não seria de se estranhar se o game contivesse um algorítimo para tornar as disputas mais parelhas. Afinal, um dos principais estímulos do game é o desafio entre os jogadores e estimular a competitividade entre ambos. E um videogame, por mais realista que possa ser, ainda é um produto de entretenimento e que visa o lucro diante da satisfação do consumidor. Assim, não seria estranheza que o sistema fosse capaz de ajustar o equilíbrio da partida. Em diversos games, o jogador pode ajustar o nível de dificuldade quando não consegue vencer os desafios, alguns sob pena de menor pontuação ou restrições. Há games que fazem isso automaticamente para que o jogador não se sinta desestimulado e abandone o título. Pois, no final das contas, é tudo uma brincadeira certo?
O problema é que videogames como o Fifa Soccer há tempos deixaram de ser simplesmente uma atividade de lazer, brinquedo ou passa-tempo. Com o fomento do e-sport, em que estúdios, fabricantes de consoles e hardware e até emissoras de TV investem milhões de dólares em competições, a simples faísca de que um código pode beneficiar o jogador que está em pior situação para tornar a partida mais atraente se torna um problema sério.
Em competições de alto nível, o que está em jogo não é o nível de satisfação dos jogadores, mas suas habilidades para conseguir derrotar seus adversários. E no final, o vencedor não levará para casa um aperto de mão ou tapinhas nas costas, mas um gordo cheque. Ou seja, não dá para aceitar que exista um “apito amigo” virtual ferrando com quem (em tese) seria merecedor da vitória por ter melhor desempenho.
A novela do “handicap” ainda deverá render discussões acaloradas, mentidos e desmentidos, malas pretas, malas brancas e tudo mais que for necessário para manter a roda da fortuna dos games a pleno vapor. Mas uma coisa é certa: é muita inocência confiar cegamente na idoneidade de um jogo eletrônico desenvolvido para fazer o jogador que paga por ele feliz!

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