Fórmula 1

Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1: passado glorioso e futuro ameaçado

Colocada no mapa por Emerson Fittipaldi, a etapa brasileira da Fórmula 1 tem um futuro incerto

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1
7/11/2017, 7:20:23

Se fosse possível fazer um ranking dos Grandes Prêmios mais tradicionais da Fórmula 1, o do Brasil ocuparia a oitava posição – atrás de Inglaterra, Itália, França, Alemanha, Mônaco, Bélgica e Espanha, todos da Europa. Um lugar para cada título do país na principal categoria do automobilismo mundial (três de Ayrton Senna e Nelson Piquet e dois de Emerson Fittipaldi).

E foi justamente o nosso bicampeão que só não abriu o caminho das pedras para os pilotos brasileiros na Fórmula 1 como também foi o principal responsável para a entrada do GP do Brasil no calendário do Mundial. Na carona da liderança de Emerson no campeonato de 1972, Interlagos sediou sua primeira etapa do circo, naquele ano, ainda extra-oficialmente.

Na corrida inaugural, na antiga e fascinante pista do circuito paulistano, com quase 8 quilômetros de extensão, uma das mais seletivas do planeta, o Rato desembarcou na capital de São Paulo, sua terra natal, contrariando seu jeito simpático e sempre diplomático.
– “Vou vencer a prova. Não vai ter pra ninguém. Não darei sopa nem para meu irmão“, disse, às vésperas da corrida.

Emerson acabaria engolindo todas as palavras depois da metade da corrida, quando a suspensão da lendária Lotus 72 preta e dourada, estampando o número 1 na carenagem, foi para o espaço. Se aproveitando do castigo do “falastrão”, o argentino Carlos Reutemann chegaria à vitória depois de 38 voltas, seguido pelo sueco Ronnie Petterson, de March, e, vejam só, por Wilsinho Fittipaldi, de Brabham. Emerson se recuperaria amplamente nas duas etapas seguintes, já no calendário permanente da Fórmula 1, vencendo em 73, com a Lotus, e em 74, com a McLaren, além de seus dois títulos.

Depois da estreia na década de 70, o GP do Brasil se tornou “figurinha carimbada” no mundo da Fórmula 1. No início, a prova era marcada sempre com uma das primeiras etapas do calendário, em fevereiro, março e até em janeiro, com um calor infernal baixando sobre o velho circuito da Zona Sul de São Paulo.

Após passar os anos 80 em Jacarepaguá, no Rio, que testemunou a arrancada de Piquet para seus três títulos e os passos iniciais de Senna, o GP do Brasil retornou para São Paulo, com o Autódromo de Interlagos completamente reformado, entrando nos padrões da FIA e com a pista encurtada para pouco mais de 4 quilômetros de traçado.

Já nos anos 2000, a etapa brasileira fda Fórmula 1 oi transferida para o final do calendário, passando a ser o lugar seguidas definições de títulos, como o bi do espanhol Fernando Alonso, em 2005 e 2006, a consagração do finlandês Kimi Raikkonen, em 2007, e o primeiro triunfo do inglês Lewis Hamilton, em 2008.

No ano passado, por exemplo, a corrida só não decidiu o campeonato porque o alemão Nico Rosberg não conseguiu superar o companheiro de Mercedes. Hamilton. Assim, adiou o seu título para a última etapa, em Abu Dhabi. Agora, o inglês chega para a prova do próximo domingo já tetracampeão.

Apesar da reforma em 89, Interlagos começou a ficar obsoleto para os cada vez mais exigentes critérios de segurança e de comodidade da Fórmula 1 e pela entrada dos moderníssimos circuitos financiados pelos governos de países chamados de novos ricos na economia mundial, como o da Malásia, o do Bahrein e o da China.

Mesmo assim, os organizadores do GP do Brasil têm conseguido renovar o contrato com a FIA, a duras custas. Só não se sabe até quando! No último sábado, Felipe Massa, atualmente único piloto brasileiro no grid, revelou por meio de sua conta no Facebook que se aposentará em definitivo no final desta temporada.

A saída de Massa pode encaminhar a pá de cal sobre o futuro da prova brasileira. Entretanto, essa seria uma forma simplista para acabar com uma das etapas mais tradicionais do mundo da Fórmula 1. O GP do Brasil é muito maior que apenas um nome no grid. E os norte-americanos da Liberty, a nova dona do circo, sabem melhor do que ninguém o valor da História.

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