Fórmula 1

Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 – Quando o final justifica os meios

Enquanto Fernando Alonso brilhava, mas não levava, em Indianápolis, a Ferrari mantinha a tradição de privilegiar um de seus pilotos em Mônaco

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Pódio do Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 de 2017
30/05/2017, 4:32:01

Duas provas da Tríplice Coroa do Automobilismo – composta também pelas 24 Horas de Le Mans – foram disputadas no último domingo. E o que mais se viu nas 500 Milhas de Indianápolis, da Indy, e no GP de Mônaco, da Fórmula-1, foi mesmo a tradição, não exatamente relacionada, desta vez, à Capital da Velocidade e à cidade de Monte Carlo.
Enquanto o espanhol Fernando Alonso brilhava por mais de três horas como a estrela da edição das 500 Milhas deste ano, no outro lado do Atlântico, a Ferrari ganhava nas ruas do Principado depois de 16 anos. No entanto, os roteiros definitivos das duas competições não seriam precisamente estes.
Provando mais uma vez que as 500 Milhas de Indianápolis são uma prova de resistência, Alonso comandou e foi o protagonista de 160 das 200 voltas da maratona automobilística. Pouco mais de três quartos da corrida norte-americana são reservados para a diversão maior dos quase 400 mil espectadores presentes ao mitológico superoval: ver acidentes. Preferencialmente, os de visual mais espetacular, em uma perfeita arena de gladiadores moderna.
O sadismo dos “torcedores” do Indianapolis Motor Speedway foi fartamente saciado, com batidas de todos os tipos, culminando com o assustador acidente envolvendo o pole position deste ano, o neozelandês Scott Dixon. Ainda na primeira parte da prova, o carro do “pole man” escalou a traseira de um retardatário e decolou, capotando no ar e quase caindo em cima do brasileiro Helio Castroneves, tricampeão das 500 Milhas e segundo colocado no domingo. O acidente só não terminou em tragédia porque os anjos da guarda de Dixon e de Helinho estavam dando plantão em Indianápolis.
Como um “coelho” das provas de longa duração do Atletismo – que força o ritmo no começo da competição e depois abre passagem para os favoritos -, Alonso teve quebra de motor faltando pouco mais de 30 voltas para o final. O espanhol bicampeão da F-1 deu um show em sua primeira participação nas 500 Milhas, porém, a glória estava reservada ao japonês Takuma Sato, um velho conhecedor das particularidades da categoria norte-americana.
Horas antes, Sebastian Vettel, Kimi Raikkonen e Daniel Ricciardo, os três primeiros do GP de Mônaco, inauguravam o novo pódio de Monte Carlo, não mais uma varanda localizada à beira da pista. A terceira vitória do piloto alemão na temporada, vinda em um fim de semana de muitos problemas para seu rival Lewis Hamilton, deveria ter um outro resultado, bem mais digno e esportivo, apesar de a conquista do líder do Mundial ter sido justa.
Fiel às suas tradições – não aquelas erguidas por Enzo Ferrari, mas a de privilegiar apenas um de seus pilotos na briga pelo título -, a equipe de Maranello tirou o doce da boca do pole position Raikkonen com uma manobra de bastidores rasteira.
Líder desde a largada, o finlandês foi chamado para a parada de box bem cedo. O campeão de 2007, pela mesma Ferrari, voltou à pista no meio do pelotão, ficando preso atrás de carros mais lentos em uma pista que não conta com pontos de ultrapassagem.
Vettel pode então andar livre na ponta, aumentando seu ritmo. Quando parou, o tetracampeão já tinha uma diferença suficiente para retornar em primeiro lugar. No novo pódio de Monte Carlo, a fisionomia séria e destoante de Raikkonen deixava claro sua reprovação à atitude do alto escalão da equipe vermelha.
Não adianta, certa ou errada, é assim que a escuderia do cavalinho empinado age na luta por um título, em uma clara representação dos fins justificando os meios. Como ocorreu no fatídico GP da Áustria de 2002. Naquele que muitos consideram o evento mais patético já produzido pelo automobilismo mundial em todos os tempos, o brasileiro Rubens Barrichello, também pole position e muito mais rápido naquele dia, foi obrigado pelos chefes a ceder o primeiro lugar ao companheiro e número 1 da equipe, o alemão Michael Schumacher. E naquele ano, a Ferrari nem precisava daquilo, pois não tinha adversários à altura.

 

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