Fórmula 1

Fórmula 1 – A vela e o defunto

Com a Ferrari não conseguindo consertar uma simples vela do motor, Vettel abandona no Japão e entrega o título a Hamilton

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Sebastian Vettel piloto de Fórmula 1
11/10/2017, 18:44:29

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Foto: Divulgação

A vela de ignição é mais antiga que a própria indústria automotiva. É essa peça com princípio elétrico que faz acontecer a explosão da mistura ar/combustível nos motores a combustão. Com princípio tão rudimentar, até prosaico, em um mundo de componentes dos propulsores cada vez mais modernos, a vela de ignição não é estrela da cadeia do “coração” de um automóvel – o motor – nem aqui, nem na China, literalmente… Por ser a “prima pobre”, uma vela custa em torno de R$ 20.

Mas o episódio mais inacreditável aconteceu no domingo passado, poucos minutos antes do início do GP do Japão de Fórmula 1. O carro de Sebastian Vettel, um dos pilotos responsáveis pela maior disputa de título dos últimos anos na Fórmula 1, teve problema em uma das velas de ignição. Isto mesmo! Pior: os mecânicos da Ferrari não conseguiram fazer o conserto de uma das peças com funcionamento mais óbvio do planeta.

Sob os olhares incrédulos dos aficionados da principal categoria do automobilismo e do piloto alemão, a Ferrari de número 5, segunda colocada no grid de largada atrás da Mercedes de Lewis Hamilton, partiu sem uma das velas estar em operação adequadamente. Sendo ultrapassado por um bando de carros na primeira volta, Vettel mandou o recado patético via rádio: “não tenho potência”. Chamado aos boxes, o tetracampeão foi forçado a desistir.

Lá dentro da pista de Suzuka, Hamilton mantinha o holandês Max Verstappen sob estreita vigilância e garantia mais uma vitória para a Mercedes. Virtualmente, o inglês já pode ser considerado como o campeão da temporada. Faltando quatro provas para o final – EUA, México, Brasil e Abu Dhabi -, Hamilton tem uma vantagem de 59 pontos sobre o oponente integrante de uma equipe que não conhece como se conserta uma vela de ignição.

Fosse em outros tempos, quando a imprensa italiana e os tifosi, os torcedores fanáticos da Ferrari – mandavam queimar os comandantes incompetentes da scuderia vermelha em água fervente de alquimia, os homens responsáveis pelo abandono de Vettel no Japão e pela perda do campeonato jamais poderiam sonhar em pisar novamente na Itália.

Para agravar a situação – como se isto fosse possível -, a Ferrari mostra falhas nas coisas mais elementares da competição e não consegue encontrar as soluções para sair do poço em que ela mesmo se meteu.

Curiosamente, a catastrófica série de problemas veio logo após a Ferrari ter convencido Vettel a renovar contrato por mais três anos. Sempre preocupado em ter um carro competivo nas mãos, o tetracampeão não desejava um novo vínculo tão longo. O alemão estava mais interessado no namoro, mesmo à distância, com a Mercedes. Se tivesse uma premonição, Vettel certamente não teria ficado preso à gente que não compreende como uma vela de ignição funciona.

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