Fórmula 1

Fórmula 1 – Sob o domínio da Eau Rouge

Idealizado no início do Século 20, Spa-Francorchamps é o melhor circuito do mundo, com sua famosa curva que desafia a Força G normal

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Fórmula 1 eau rouge
23/08/2017, 4:09:07

Depois de quase um mês, das férias do verão europeu, a Fórmula 1 retorna no próximo domingo justamente no melhor circuito do planeta: Spa-Francorchamps, o preferido de todos os pilotos que estão ou já passaram pela principal categoria do automobilismo.

O alemão Sebastian Vettel, da Ferrari, e o inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, começarão a discutir o título no início da segunda parte da temporada nos sete quilômetros de extensão de uma pista que tem de tudo, incluindo a mais famosa curva do mundo, a Eau Rouge, um longo S percorrido primeiro em descida e, por último, em subida, a mais de 300 km/h. Os mais corajosos não aliviam o pé do acelerador.

Idealizado no início da segunda década do século passado pelos belgas Jules de Their e Henri Langlois van Ophem, na Região das Ardenas, Spa foi inaugurado, com 15 quilômetros de traçado, em 1921. Mas a primeira prova só ocorreria um ano depois.

O motivo para a corrida ter sido cancelada em 21 foi o mais prosaico possível: apenas um piloto teve coragem de se inscrever para desafiar aqueles 15 quilômetros, percorridos sempre de forma alucinante. A primeira edição das 24 Horas de Spa foi disputada em 1924. E o circuito belga é um dos poucos que estavam no primeiro calendário do Mundial de Fórmula 1, em 50, composto por apenas seis etapas.

Spa, Francorchamps, Malmedy, Stavelot, que ilustram curvas e lugares do circuito, são todos nomes de pequenas cidades ou vilarejos das Ardenas. No princípio, o desenho da pista utilizava estradas que ligavam esses lugares. Tendo na sua história muitas mortes de pilotos e de espectadores, Spa foi sendo encurtado com o tempo. Baixou para 14,2 quilômetros inicialmente e, no começo da década de 80, foi reduzido para os quase sete quilômetros de agora, porém, sem o status de autódromo fechado. Spa só foi se tornar um circuito permanente e proibido para o trânsito da região nos anos 90.

Do traçado inventado por Their e Van Ophem, não sofreram mudanças a La Source, a primeira curva do circuito, um grampo feito em baixíssima velocidade, a Eau Rouge e a Stavelot, que passa em Francorchamps e marca o retorno dos carros para a reta de chegada, após a chicane do Bus Stop.

O desenho atual de Spa é infinitamente melhor e mais seletivo que o “triangular” – tendo a La Source como um dos vértices – feito pela dupla nos primeiros anos do Século 20. Entretanto, as características marcantes da velha pista se mantêm, como a de ter a melhor curva do calendário, a Eau Rouge, a mais rápida, a Blanchimont, na qual Luciano Burti bateu em 2001 e só não morreu devido à precisão do trabalho de seu anjo da guarda, e também pelo fato de às vezes chover em parte do autódromo e ficar completamente seco em outra.

Em Spa, os pilotos aceleram plenamente em 71% do traçado. A pista belga tem o maior desnível em relação à zona baixa, a do complexo de boxes, e o alto da colina, na variante Les Combes. Desse ponto até a curva Stavelot, são 2,5 quilômetros em descida constante, em uma espécie de carrocel com curvas de todos os tipos.

Para acertar uma volta rápida em Spa, o piloto tem de cumprir uma série de requisitos. Mas o maior segredo é como ele passará pela Eau Rouge, na qual, ao contrário de qualquer outra curva, a Força G não é lateral e sim vertical, pois o longo S tem diferenças de altitude.

O maior vencedor em Spa-Francorchamps é o heptacampeão Michael Schumacher, com seis conquistas. No próximo domingo, um dos seus discípulos, Vettel, na mesma Ferrari do velho mestre, tentará manter a liderança do campeonato. Não será fácil, já que as Flechas de Prata de Hamilton e Vatteri Bottas devem voar no melhor circuito do mundo. Pelo menos, essa é a lógica para a prova.

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