Fórmula1

Fórmula 1 – “Sir” Lewis Carl Hamilton se revela um cavalheiro inglês

Na contramão dos tratados nem sempre cumpridos no circo da Fórmula 1, o inglês tricampeão surpreende o mundo ao honrar com sua palavra no GP da Hungria

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Lewis Hamilton piloto de Fórmula 1
1/08/2017, 1:39:07

Entre pessoas civilizadas, a palavra está acima de qualquer coisa. Seria o nosso “fio de bigode”, expressão tão fora de moda em tempos onde a palavra “delação” anda quase sempre acompanhada do adjetivo “premiada“. No último domingo, muito mais representativo do que a vitória de Sebastian Vettel no GP da Hungria, que assegurou a diferença de 14 pontos na liderança do Mundial em favor do piloto da Ferrari, um gesto marcou a 11ª etapa da temporada – e, muito provavelmente, o ano. O autor: Lewis Carl Hamilton. Inglês de 32 anos, os dois primeiros nomes recebidos pelo pai em homenagem ao grande velocista norte-americano Carl Lewis.

Ainda antes da metade da corrida no circuito de Hungaroring, Hamilton, na quarta posição, pediu permissão pelo rádio à equipe para passar seu companheiro de Mercedes Valtteri Bottas.“Permitam-me passar o Valtteri. Acho que posso tentar superar as Ferrari. Deixem eu tentar, se não conseguir, devolvo a posição para ele depois”, prometeu.

Naquele momento, Vettel e Kimi Raikkonen, os homens da equipe italiana, ocupavam os dois primeiros lugares da prova, mas o alemão enfrentava problemas na direção do carro que não o permitiam usufruir de todo o favoritismo da Ferrari na pista húngara. Após uma breve reunião dos comandantes da Flecha de Prata, veio a ordem para que Bottas cedesse a posição para o companheiro. O finlandês obedeceu praticamente parando o carro na reta dos boxes. E Hamilton foi embora atrás das Ferrari.O piloto inglês encurtou a diferença e, por mais de 30 voltas, tentou se aproximar de Raikkonen para executar a manobra de ultrapassagem. Não conseguiu. Já quase ao final da corrida, Hamilton desistiu e as Ferrari partiram rumo à bandeirada, em mais uma dobradinha vermelha. Naquele cenário, Vettel garantia 25 pontos e o inglês, 15, do terceiro lugar.Mas, e aquela história da devolução de posição?

Embora algumas pessoas ainda lembrassem da questão nas voltas derradeiras da prova, ninguém em sã consciência poderia acreditar que Hamilton fosse abdicar de fato de três preciosos pontos em um campeonato tão parelho.

Com as Ferrari cruzando a linha quase juntas, as câmeras de TV foram procurar o terceiro colocado. Apareceu então Hamilton mais lento, sendo ultrapassado por pilotos de trás do pelotão. Não. Não era um problema mecânico a roubar o lugar no pódio do piloto do carro 44. Hamilton estava olhando mais para os retrovisores do que para frente. Procurava o companheiro Bottas, para cumprir com sua palavra.Na curva final, Hamilton olhou atentamente aonde estava o quinto colocado, Max Verstappen, da Red Bull, colado na traseira de Bottas. Abriu o suficiente para que apenas o companheiro passasse e completou a corrida em quarto, com menos três pontos no bolso, no entanto, com a consciência tranquila por ter honrado a palavra empenhada.

Hamilton pode ter até facilitado a vida de Vettel na luta pelo título. Ele pode até ter perdido o campeonato pelos tais três pontos. Ele pode até ter sido bom demais em um mundo tão competitivo quanto o da Fórmula 1, que em via de regra não cumpre com o prometido. Entretanto, Hamilton tornou-se grande. Tão grande quanto ele próprio jamais sonhou ser.

Parabéns, Lewis! Você pode ter perdido o campeonato, mas merece o título de “Sir“!

 

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