Fórmula 1

Fórmula 1 – Robert Kubica: duro de matar

Depois de sobreviver a dois acidentes terríveis, piloto polonês volta a pilotar com um carro atual da categoria

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Robert Kubica piloto polonês da Fórmula 1
10/08/2017, 0:25:30

Robert Kubica, 32 anos, tem uma das mais breves carreiras na Fórmula 1, mas nem por isto pouco intensa. Com feições no mínimo esquisitas e muito marcantes, o piloto polonês estreou na principal categoria do automobilismo em 2006, com a BMW, sucessora da Sauber na época.

Dono de um estilo técnico e arrojado, Kubica, nascido de uma família rica, impressionou o circo de cara. Na sua segunda temporada, protagonizou um dos acidentes mais assustadores de toda a história da Fórmula 1, iniciada em 1950. Foi nas primeiras voltas do GP do Canadá de 2007. Pouco antes do Grampo do circuito Gilles Villeneuve, algo se soltou na traseira da BMW. Kubica bateu próximo dos 300 km/h em cheio na mureta interna, cruzou toda a pista capotando sucessivamente de lado até se chocar, também bruscamente, no muro de cimento do outro lado da pista. O piloto demaiou na primeira batida, por causa da violência do choque. Quando o carro finalmente parou, destruído por completo, um silêncio se fez no circuito e nos boxes, com os integrantes da equipe olhando para os monitores das TVs perplexos. Todos os olhares tinham uma única tradução: “Kubica não pode ter sobrevivido“.

Sobreviveu! Com apenas uma leve luxação na perna direita e um traumatismo craniano, igualmente pequeno, o polonês candidato a superhomem de carne e osso só não participou de uma prova, nos EUA, sendo substituído por um tal de Sebastian Vettel, de 19 anos. Fominha, Kubica já retornou ao cockpit na etapa posterior à de Indianápolis, na França. O terrível acidente não afetara uma vírgula no estilo arrojado do polonês.

Em 2008, Kubica disputou o título contra as poderosas Ferrari, de Kimi Raikkonen e Felipe Massa, e a McLaren, de Lewis Hamilton até a antepenúltima corrida. Antes, mostrou para o mundo o que a pista canadense, a do acidente de 2007, havia lhe deixado de trauma: nenhum, pois o polonês conquistava ali sua única vitória na F-1, um ano após de sido considerado morto.

Em 2009, a categoria teve um novo regulamento, com as principais equipes não sabendo interpretar bem as regras, surgindo a Brawn e a Red Bull. Quase de saída da F-1, a BMW de Kubica ía mal das pernas, deixando o polonês meio que a pé. Em 2010, na renascida Lotus/Renault, Kubica voltou aos bons dias, com atuações consistentes, como na última etapa do campeonato, em Abu Dhabi, embora ele próprio não sonhasse com o que aconteceria em seguida.

Em meio à pré-temporada da F-1 de 2011, não se sabe bem o porquê, Kubica foi participar de uma prova de rali, a Ronde di Andora, na Itália, pilotando o Skoda Fabia. Na competição, o polonês perdeu o controle do carro e colidiu contra um guard-rail, que atravessou o motor e o cockpit, atingindo o lado direito de seu corpo. Kubica sofreu traumatismos múltiplos no braço, na perna e na mão. O navegador, Jakub Gerber, escapou com poucas lesões. Devido à gravidade dos ferimentos, chegou-se a considerar a amputação da mão de Kubica, que passou por uma cirurgia de mais de sete horas. Três dias antes, o polonês participara dos treinos coletivos da pré-temporada da Fórmula 1, em Valência (Espanha), marcando o melhor tempo dos três dias de testes. Depois de dois meses internado e mais quatro cirurgias, recebeu alta para continuar o tratamento em casa. A promissora carreira na Fórmula 1 ficara para trás.

Kubica foi morar em sua casa em Cracóvia, na Polônia, sozinho. A vida continuou, com eventuais participações em provas de rali, só por diversão. A Fórmula 1 já tinha um novo tetracampeão, aquele mesmo menino que o substituíra no GP dos EUA de 2007. Na mudança de regulamento de 2014, com o retorno dos motores turbo, agora, híbridos, associado a outros propulsores elétricos, o domínio era da Mercedes.

A equipe de Kubica virou Lotus e voltaria a ser Renault. Ainda ligado à escuderia francesa, o polonês fazia alguns testes, sempre solitário nas pistas e com carros antigos da categoria. Entretanto, os digentes da Renault resolveram pensar novamente na velha promessa e no que sobrara do fantástico piloto polonês.

Vieram então os testes de dois dias, na semana passada, no circuito de Hungaroring, o mesmo que abrigou a décima primeira etapa do Mundial, no fim de semana anterior. Com todo o carinho, os mecânicos adaptaram as mudanças de câmbio e alguns botões do volante de um carro atual da F-1, igual ao que o alemão Nico Hulkenberg e o inglês Jolyon Palmer guiam no campeonato. Com a torcida polonesa lotando a arquibancada do autódromo húngaro, com bandeiras e fajxas com saudações a “Robert”, lá foi o supeman humano para nova aventura.

Kubica sentiu pouco as dores na mão direita, que ficou torta, mas calejada. No segundo dia, andou o equivalente a dois GPs da Hungria, em número de voltas. Os tempos no cronômetro pouco importavam, no entanto, terminou o dia com a quarta marca. A Renault vibrou com o testes, pois Kubica passou inclusive dicas para o desenvolvimento do bólido.

Nem Kubica, nem a equipe sabem do futuro. Um dos carros amarelo e preto pode ter o polonês e seu número 46 no próximo ano, embora não seja o mais importante no momento. Só não dá para duvidar de coisa alguma deste homem de aço, de olhar triste e sorriso de criança.

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