Fórmula 1

Fórmula 1 – Por que não elas?

Apesar do afastamento das grid girls, a Fórmula 1 não está fechada para as mulheres

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Danica Patrick Fórmula 1
5/02/2018, 22:56:58

Na semana passada, a Liberty, nova dona da Fórmula 1, e a FIA anunciaram em conjunto o fim das chamadas grid girls, as modelos que carregam as placas com os nomes e os números dos pilotos nos momentos anteriores às largadas. O assunto rendeu enorme repercussão no meio, mas a questão é simples: operacionalmente, essas garotas não fazem a menor falta à categoria.

Por outro lado, porém, elas não agrediam ou perturbavam a ninguém. Portanto, tirá-las foi uma medida inócua para uma Fórmula 1 que deveria estar preocupada com questões mais importantes, como a captação de maior interesse do público jovem e dos internautas.

Uma pergunta envolvendo a mulher é bem mais significativa e recorrente: por que não existem pilotas – sim, o termo no feminino está correto – na Fórmula 1? Antes de mais nada, já houve corredoras no comando de carros da categoria. Em seguida, o restrito grupo das “Eleitas” será relembrado.

Enquanto isto, a resposta para a pergunta acima é fácil e nada tem a ver com machismo. As mulheres nunca vingaram como piloto na Fórmula 1 por uma questão física, mais especificamente, de resistência física. Se o leitor imaginar o que representa a força de 800, 900 cavalos nas costas por cerca de uma hora e meia ou por 300 quilômetros – percurso médio de um GP –, com curva em cima de curva e a consequente brutal força G atuando a todo o momento, ficará ainda mais fácil de a questão ser entendida.

Na primeira década dos anos 2000, Bernie Ecclestone, antigo chefão da Fórmula 1, pretendeu importar dos EUA a norte-americana Danica Patrick (foto desta reportagem), hoje com 35 anos, em mais um lance de marketing da velha raposa. Em 2005, Danica foi a primeira (e única até agora) mulher a conquistar a pole position das 500 Milhas de Indianapolis.

Se os motores usados nas 500 Milhas são mais potentes que os da Fórmula 1, então, por que Danica não poderia correr no Mundial? Outra explicação simples: as provas nos circuitos ovais não têm curvas, não têm freadas, não têm “um mundo” de peso vindo contra o corpo do piloto a todo o instante.

A bela e talentosa pilota norte-americana pode brilhar nos ovais, entretanto, não resistiria na Fórmula 1 . Isto os dirigentes europeus sabem mais que os simples mortais, e o assunto Danica foi esquecido.

A aventura das bravas guerreiras no comando de um F-1 teve início em 1958, com Maria Teresa de Filippis. A italiana, morta em 2016 aos 89 anos de idade, participou de cinco GPs. Continuou com sua conterrânea Lella Lombardi, que morreu em 1992, com 50 anos. De 1974 a 76, Lella teve 12 largadas.

A inglesa Divina Galica, de 73 anos, quando jovem, correu em três GPs na temporada de 78. Menos do que isto foi a trajetória da sul-africana Desiré Wilson, hoje com 63 anos. Em 80, Desiré largou em apenas uma prova. A galeria das mulheres na Fórmula 1 teve sua última representante em 92, com a italiana Giovanna Amati, que correu em três GPs.

O afastamento das grid girls em nada indica que a Fórmula 1 deva ser um Clube do Bolinha. Apesar de os homens também predominarem nos bastidores, as mulheres ocupam importantes funções nas equipes. Em 2012, a indiana Monisha Kaltenborn foi a primeira mulher a assumir o comando de uma escuderia, a Sauber. Há dois anos, Claire, filha de Frank Williams, passou a ser a chefe e diretora-geral da equipe. Embora o pai ainda vá aos GPs, a palavra final na escuderia inglesa é de Claire. E isto é bem mais importante que as garotas do grid.

 

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