Fórmula 1

Fórmula 1 – A ousadia de resgatar a emoção

Depois de apenas meio ano, a nova direção da categoria aproxima o circo de seu público e promove outra revolução, em um gesto simples e emblemático

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Fórmula 1
17/08/2017, 0:08:33

Passado apenas meio ano da Fórmula 1 sob nova direção, da norte-americana Liberty e seu comando afável do bigodudo Chase Carey, os aficionados pela principal categoria do automobilismo só têm coisas boas para lembrar e comemorar. Não adianta: ninguém sabe promover o esporte como os caras dos Estados Unidos. Lá, o esporte é encarado como uma coisa muito séria, e quanto mais perto de seu público estiver, mais motivos para celebrar e contar a pilha de notas verdinhas do retorno milionário, garantido e óbvio.

Pegue tudo isto e coloque em um negócio pronto e trabalhado desde os anos 80 por Bernie Ecclestone. O resultado é uma festa! Carey e sua equipe só trataram de preservar as coisas certas, promoverem as mudanças necessárias e levaram a Fórmula 1 para mais perto dos torcedores, humanizando-a. Ficou melhor até para quem trabalha na imprensa.

Bem ao contrário da Indy, por exemplo – uma verdadeira confraternização de família a cada fim de semana de corrida, como se fosse um grande piquenique nos autódromos ou nos circuitos de rua -, a Fórmula 1 se profissionalizou e se tornou um negócio bilionário a partir da Era Ecclestone mas fugiu do público. Para quem assistia pela TV, tudo bem. No entanto, para os torcedores nos circuitos e para quem ralava no paddock e no pit line atrás de informações, era um inferno! Até o site oficial da categoria era mais fechado que uma burca afegã, em plenos tempos de ciberespaço.

Bernie Ecclestone foi imensamente competente nos seus mais de 30 anos de trabalho, entretanto, estava pedindo para sair! E veio o sorridente Carey, com cara de bonachão e bochechas rosadas. A pose de bom samaritano, todavia, para por aí. O dirigente norte-americano sabe muito bem do que a F-1 precisa. Na lista de preferências, está o público, no autódromo, na internet, na frente da TV.

Já na sua primeira temporada, a equipe de Carey aplicou um golpe de mestre no GP da Espanha. Na largada, o finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari, foi atingido por dois carros ainda antes da primeira curva. Imediatamente, a transmissão da TV foi buscar o choro compulsivo do menino francês Thomas, todo vestido com as cores da equipe italiana. Na sua inocência, aquela desistência forçada do ídolo era o fim do mundo.

Enquanto a prova catalã prosseguia, os Twitters da Fórmula 1 e da Ferrari foram ao encontro do menino na arquibancada do circuito de Montmeló. A história que começara trágica para o piloto e o torcedor teria um final duplamente feliz. Os homens da nova direção da Fórmula 1 e os da Ferrari promoveram então o encontro de Raikkonen e Thomas dentro do box da escudeira vermelha, com a prova em andamento.

 

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Gol! Golaço! O sempre sisudo piloto finlandês abriu-se em sorrisos ao recepcionar o pequeno fã, dando, além de um abraço prolongado, um boné da Ferrari e um par das sapatilhas que ele mesmo usa quando está a bordo do carro de número 7.

O encontro, jamais sonhado na Era Ecclestone, simples e grandioso, é a marca da nova Fórmula 1, que permanece o esporte mais sofisticado e rico do mundo. Mas agora ela também é humana, e não exigiu o menor sacrifício de ninguém. Viu, Bernie?

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