Fórmula 1

Fórmula 1 – O homem que reinventou a Ferrari

Reeleito presidente da FIA, Jean Trodt traz no currículo um trabalho singular feito na Casa de Maranello

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Jean Trodt Fórmula 1
12/12/2017, 16:46:51

O francês Jean Todt, de 71 anos, foi reeleito presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para o mandato 2018-2021. Tendo como a joia da coroa a Fórmula 1, a entidade com sede na Place de la Concorde, em Paris, promove também o Mundial de Rali, o Campeonato Internacional de Turismo e o de Protótipos Esportivos, a F-2 e a GP3, entre suas principais categorias.

 

Vindo de uma carreira como navegador de rali e depois como comandante da equipe oficial da Peugeot na mesma competição, Todt foi contratado pela Ferrari em 1993 para catapultar a maior mudança já feita em uma escuderia da Fórmula 1.

 

Após a morte de Enzo Ferrari, em 88, a equipe de pista da Ferrari passou a viver apenas do nome e da tradição. Pior: quando chegou lá, Todt encontrou um bando de mecânicos e dirigentes quase amadores ou meramente torcedores da lendária equipe italiana. Até macarronada era feita nos boxes durante os fins de semana de GP.

 

Ganhando carta branca na presidência da Fiat, a dona da Casa de Maranello, Todt respirou fundo, arregaçou as mangas e contratou um time de engenheiros e projetistas sem nenhum vínculo com a Itália. Da equipe de pista, ficaram apenas os mecânicos, sem a função de cozinheiros.

 

No entanto, apesar de toda a capacidade profissional do pequenino francês – casado com a atriz malaia Michelle Yeoh, “bond girl” no filme 007, “O Amanhã Nunca Morre” –, a tarefa de resgatar a Ferrari para o primeiro time da F-1 não foi nada fácil. Os dois primeiros anos no comando da escuderia foram para limpar a casa e não dar muito ouvidos aos “tifosi” – os fanáticos torcedores ferraristas – e à imprensa italiana, que sempre se colocou na condição de “dona do destino” da Ferrari e de ser seu principal juiz.

 

Tão logo a Benetton conquistou dois títulos com Michael Schumacher, em 94 e 95, Todt buscou o tripé de alicerce da bicampeã, o próprio piloto alemão, o engenheiro Ross Brawn e o projetista Rory Byrne.

 

Anos mais tarde, Todt revelaria um ponto-chave de seu plano de reestruturação da Ferrari: Ayrton Senna, morto no início na temporada de 94. Pode-se dizer que toda a trajetória percorrida com Schumacher na equipe vermelha seria de Senna, colocando os incontáveis recordes do piloto alemão em uma realidade paralela.

 

Mas, como o “se” não existe na prática na maior parte das coisas da vida, coube a Schumacher ser o condutor e a estrela de cinco campeonatos seguidos e de 72 de suas 91 vitórias a bordo de uma Ferrari.

 

O piloto pode ter mudado no reerguimento da escuderia do Cavalinho Rampante, o comandante, não. Amigo de Schumacher, tanto que é a única pessoa com autorização da família a poder visitar o heptacampeão – em estado de coma desde um acidente de esqui na neve em dezembro de 2013 -, Todt começou a ver sua saída da Ferrari devido justamente à aposentadoria do alemão, em 2006.

 

Mesmo assim, decidiu ficar por mais um ano na chefia da equipe e colecionou outra placa de referência na sala de troféus e da história de Maranello. O título de Kimi Raikkonen, em 2007, foi o último sob a batuta de Todt e também o último da Ferrari. Não que a casa tenha caído ou voltado a ser uma fábrica caseira de macarrão dentro dos boxes.

 

Pelo contrário! Tão importante quanto o trabalho de 14 anos do francês no comando da Ferrari foi o legado deixado. A escuderia italiana pode ter conquistado o campeonato da Fórmula 1 há remotos 10 anos, entretanto, é sempre uma das protagonistas, desde que o francesinho botou a mão na massa.

 

Todt é quase um segundo fundador da Ferrari. O mais correto seria dizer que ele é o reinventor da equipe. Quanto a sua confortável poltrona na suntuosa Place de la Corcorde, poderia ser vitalícia.

 

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