Fórmula 1

Fórmula 1 – O herói da resistência e os convivas do porão

No segundo escalão, Daniel Ricciardo foi o melhor piloto. O circuito de Abu Dhabi e Marcus Ericsson foram os piores de suas turmas

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

daniel ricciardo fórmula 1
27/11/2017, 23:41:55

Terminada a primeira temporada com a Fórmula 1 sob nova direção, da norte-americana Liberty, nada mais óbvio que se aponte os destaques do campeonato, assim como os pontos negativos. Seria evidente apontar o inglês Lewis Hamilton, o campeão, como o melhor piloto do ano, seguido na cola pelo alemão Sebastian Vettel. Os dois protagonizaram uma disputa emocionante, como há muito tempo não víamos entre duas equipes diferentes, no caso, a Mercedes e a Ferrari, respectivamente. Até a escuderia italiana errar feito uma principiante no terço final da temporada.

É divertido brincar um pouco buscando os melhores do resto da turma, dos bravos heróis da resistência, que encararam a bronca sem ter uma Mercedes ou uma Ferrari nas mãos. Na parte de baixo, os piores do circo, os habitantes do porão, receberão o tratamento tradicional, sem complacência. Embora tenha enfrentado problemas nas duas últimas corridas, Brasil e Abu Dhabi, o australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull, foi o grande cara de 2017, com uma vitória, no Azerbaijão, oito pódios e atuações convincentes, além de ganhar a parada contra o companheiro, o holandês Max Verstappen, a joia de ouro entre os novos talentos. Mesmo se colocarmos Hamilton, Vettel, o espanhol Fernando Alonso e o finlandês Kimi Raikkonen, Ricciardo talvez seja o piloto mais técnico da atualidade, sem deixar de lado o arrojo.

Fica também na Red Bull o título de melhor carro do ano, com apenas metade da temporada de percurso. Explica-se: envolvido com o projeto do superesportivo AM-RB 001 – parceria da equipe austríaca com a Aston Martin -, o projetista inglês Adrian Newey não participou ativamente da criação do RB13, o bólido de Ricciardo e Verstappen. Na metade do ano, Newey foi convocado pela equipe e “desentortou” o carro, que fez as últimas etapas do campeonato quase junto à Mercedes e à Ferrari.

Se a Fórmula 1 continua tendo as melhores pistas do mundo – Spa-Francorchamps, Monza, Silverstone e Circuito das Américas, só para dizer que não foi mencionado um dos novos -, permanece com aberrações de todos os tipos, como Marina Bay, em Cingapura, Baku, no Azerbaijão, e, notadamente, Yas Marina, em Abu Dhabi, local da derradeira prova da temporada, no último domingo. Mônaco é um caso à parte, por favor!

O circuito dos Emirados Árabes Unidos é a legítima Mil e Uma Noites, lindo, com visual magnífico e um local ultramoderno. No entanto, como Nelson Piquet disse na inauguração de Magny-Cours, na França, em 1991: “só esqueceram de fazer a pista”. Não que o Yas Marina seja uma “pista de kart”, o Yas Marina não é uma pista de automobilismo. E assim deve ser tratado. Um circuito entra no coração dos pilotos por algumas características, por curvas marcantes ou por pontos desafiadores, e acaba ficando conhecido por isto. O novo Interlagos, por exemplo, surgido em 89, é uma pista chata, bem distante do antigo traçado do autódromo paulistano. Entretanto, tem o S do Senna e o Laranjinha. Yas Marina não tem nada, só beleza!

Depois da prova de domingo, Hamilton saiu do sério e detonou o circuito dos Emirados. O tetracampeão ficou todas as 56 voltas da corrida atrás do companheiro Valtteri Bottas, sem a menor possibilidade de ultrapassagem. Embora sendo ainda diplomático, o inglês sentenciou:
– Adoro este lugar. Tudo é maravilhoso, mas não podemos correr em uma pista sem ao menos um ponto de ultrapassagem.
Por todo o dinheiro envolvido, o GP de Abu Dhabi continuará no calendário. Isto é muito ruim para a Fórmula 1!

Entre a turma do porão, três pilotos foram ou continuam sendo “ETs” no grid. O pior sem a menor sombra de dúvidas é Marcus Ericsson. O sueco não encontra absolvição nem na precariedade da Sauber, pois o alemão Pascal Wehrlein consegue alguma coisa com a mesma “carroça suíça”.

Já o inglês Jolyon Palmer e o dinamarquês Kevin Magnussen estão em outro patamar: não são pilotos de Fórmula 1. O primeiro irritou tanto a Renault que recebeu um pontapé no traseiro logo após a metade da temporada, substituído pelo espanhol Carlos Sainz Jr., um dos bons nomes da nova safra.

Quanto a Magnussen, ninguém sabe ao certo o motivo de ele estar dentro do cockpit de um carro da principal categoria do automobilismo. Só para ficarmos na prova mais recente, o dinamarquês fez duas bobagens – captadas pela câmara onbord da Haas – na primeira volta que mereceriam “fuzilamento”. Apesar disto, no terreno do surrealismo, Magnussen teve contrato renovado para 2018. Por esta razão, a norte-americana Haas não tem o direito de reclamar da vida.

Em qualquer esporte ou ramo da vida, tem os melhores e os piores. A história e as estatísticas apontarão para sempre nos livros que Hamilton foi o melhor piloto de 2017. E estarão certos. Mas é bom saber também que a temporada não teve apenas o ótimo piloto inglês.

Ah, na foto aí de cima, está o melhor, Ricciardo, no pior circuito, Abu Dhabi.

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