Fórmula 1

Fórmula 1 nas asas da Red Bull

Com base no espírito esportivo de seu criador, equipe austríaca rompeu os padrões do circo da Fórmula 1

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Fórmula 1 Red Bull Natal
26/12/2017, 15:33:03

A fase romântica da Fórmula 1 ocorreu paralelamente à trajetória da Ferrari, eterna escuderia número 1 do circo, e dos construtores de “fundo de garagem” ingleses, mais notadamente com a Lotus, a Tyrrell, a BRM e até a McLaren, do final dos anos 60 à década de 70. Esses são os verdadeiros pilares do automobilismo.

No entanto, o espírito esportivo tão peculiar daquele tipo de competição de raiz sobrevive – embora agora envolta em altas cifras – com a Red Bull, fundada em 2005. Tanto que as únicas mensagens de Natal e Ano-Novo à comunidade da Fórmula 1, sempre com uma dose de bom humor e alegria, vêm da equipe austríaca.

Neste ano, os pilotos Max Verstappen e Daniel Ricciardo posaram de duendes do Papai Noel e distribuíram presentes simbolicamente por meio do site oficial da escuderia tetracampeã da Fórmula 1, de 2010 a 2013, com o alemão Sebastian Vettel, atualmente na Ferrari.

O espírito esportivo da equipe do touro vermelho apareceu tão logo estreou na Fórmula 1, trazendo um ano depois um segundo time para o grid, a Toro Rosso. A explicação de tamanha desportividade da equipe principal, que, entre outras facetas, rechaça a odiosa tática da ordem de equipe, deixando seus pilotos brigarem à vontade dentro da pista, vem necessariamente de seu dono, o multimilionário austríaco Dietrich Mateschitz, o inventor na famosa bebida energética.

Tanto a Red Bull quanto a Toro Rosso não têm patrocinador principal. Quem as banca é a própria empresa austríaca, que de lambuja ainda tem um autódromo particular, o antigo Zeltweg, reformado pela escuderia e constante do calendário atual da Fórmula 1.

Segundo Mateschitz, de 73 anos, a ideia do energético Red Bull veio de uma viagem feita ao oriente em busca de uma melhora de sua saúde. O austríaco perambulou por anos pelas terras místicas indianas e do Nepal quando deparou com uma espécie de chá local.

Na filosofia de que pior não poderia ficar, Mateschitz bebeu daquele chá durante um tempo, percebendo uma melhora significativa de seu estado físico e emocional. Os ingredientes do “remédio” oriental inspiraram o futuro empresário na fórmula de seu energético. O homem patenteou a bebida, colocou em produção e nunca mais parou de contar dinheiro, muito dinheiro!

Antes de entrar na F-1, a Red Bull esteve metida em vários esportes, como patrocinador de modalidades, como vôlei, atletismo, basquete, futebol e automobilismo – estampou seu nome na Sauber, na Stock Car, na Nascar, entre outras tantas –, e promoveu esportes radicais, como a Corrida Aérea, com monomotores feitos por ela mesmo.

Os princípios desportivos de Mateschitz sempre imperaram em todos os lugares por onde o nome Red Bull passou, ou permanece. Para sedimentar o caminho de glória, o espírito que norteia a empresa austríaca se alinhou ao signo da vitória na Fórmula 1, escrevendo uma página improvável em uma categoria tão tradicional.

Com exceção da episódica Brawn, que existiu apenas um ano, em 2009, tornando-se campeã com o inglês Jenson Button, a Red Bull é a única escuderia a romper a hegemonia das figurinhas carimbadas – Ferrari, McLaren, Williams e Mercedes –, dando ao circo uma nova grande equipe, e vitoriosa.

Com pouco mais de 10 anos de vida na Fórmula 1, a Red Bull já é uma das mais influentes nas decisões da FIA. Um prêmio mais do que merecido para o espírito esportivo, e sério, de Dietrich Mateschitz. Bom Ano-Novo também para a Red Bull!

 

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