Fórmula 1

Fórmula 1 – Nada é para sempre

Considerados definitivos até poucos anos, recordes de Schumacher podem ter novo dono com a disparada de Hamilton

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Fórmula 1 - schumacher e hamilton
3/01/2018, 1:02:36

Michael Schumacher tinha 16 anos e quatro dias quando Lewis Hamilton nasceu. Os dois pilotos com maior número de vitórias na Fórmula-1 são da primeira semana do ano, o alemão, do dia 3 e o inglês, de 7 de janeiro.

Enquanto o atual campeão vinha ao mundo, na cidade de Stevenage, o futuro heptacampeão vivia a passagem do kart para as fórmulas de acesso europeias.

Embora não canse de dizer que não pensa em buscar os dois maiores feitos de Schumacher – atualmente em coma desde um acidente de esqui, no final de 2013 -, sete títulos e 91 vitórias, Hamilton certamente tem isto presente em seus pensamentos. Por um motivo em especial.

Após os recordes de Schumacher, ninguém em sã consciência apostava que um outro piloto pudesse chegar perto do alemão, nascido na cidade de Hürth-Hermülheim em 1969. Mas o casamento de Hamilton com a Mercedes começou a mudar este cenário, a partir de 2014. Foram três campeonatos e 41 primeiros lugares do inglês com a equipe da estrela de três pontas, exatamente os dois números definitivos conseguidos por Ayrton Senna.

E depois de tanto sucesso com a esquadra alemã, Hamilton percebeu que chegar a Schumacher não era mais uma missão impossível. O inglês já tem 62 vitórias e quatro títulos, faltam 29 conquistas e três canecos, respectivamente. Por uma questão estatística, se o piloto da Mercedes de número 44 continuar lutando pelo título nas próximas três temporadas – algo bem provável -, atingirá as marcas de Schumacher, pois uma campanha exitosa na F-1 nos dias de hoje tem uma média de 10 vitórias por ano.

Mesmo que Hamilton consiga superar o mito alemão, o bom senso ensina que não é bom ser traçado qualquer tipo de comparação entre os dois grandes campeões. Por outro lado, as trajetórias e o começo de cada um na Fórmula 1 mostram algumas semelhanças.

Tanto Schumacher quanto Hamilton estrearam em equipes vitoriosas, o alemão na Benetton e o inglês na McLaren. O agora tetracampeão chegou inclusive bem perto do título no seu primeiro campeonato, em 2007. Schumacher conseguiria sua primeira glória na terceira temporada com a equipe anglo-italiana, em 94.

Graças a esta faceta importante, ambos nunca tiveram de penar em carros desqualificados, por assim dizer. Schumacher papou dois títulos com a Benetton e se transferiu em seguida para a Ferrari. Criado desde os 11 anos de idade na McLaren, Hamilton surpreendeu o circo no final de 2012 anunciando que estava se mudando para a Mercedes, justamente no lugar de Schumacher. Na equipe alemã, o inglês só teve de marcar passo por um ano. Em 2014, Hamilton voltaria a ter um carro vitorioso nas mãos.

Schumacher tinha 35 anos quando conquistou seu sétimo campenato, em 2004. Hamilton completa 33 anos no próximo domingo. As diferenças numéricas, além das temporadas a mais do alemão, se explicam facilmente por um detalhe fundamental, em favor de Schumacher.

Ao contrário de Hamilton na McLaren e na Mercedes, Schumacher teve a equipe, no caso, a Ferrari, totalmente a sua diposição por cinco anos. Seu companheiro Rubens Barrichello só poderia almejar o topo do pódio se o alemão não estivesse na prova.

Hamilton “dividiu” a atenções na McLaren com o espanhol Fernando Alonso, depois, com o inglês Jenson Button. Na Mercedes, encontrou no alemão Nico Rosberg um osso muito duro de roer, tanto que viu o companheiro ser campeão em 2016, ficando com o vice e um gosto amargo na boca. O inglês teria finalmente a condição de primeiro piloto da Mercedes somente no ano passado, quando formou dupla com Valtteri Bottas. Mas o finlandês ainda venceu três corridas na temporada.

Mesmo se a coroa dos recordes da Fórmula 1 mude de cabeça em poucos anos, uma outra afinidade das carreiras de Schumacher e Hamilton é evidente e está estampada na atitude dos dois na pista: são máquinas de vencer.

 

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