Fórmula 1

Fórmula 1 – McLaren: Tempo de despertar

Depois de habitar o porão do circo, a escuderia inglesa marca data para voltar a ser protagonista

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

Fórmula 1 fábrica da McLaren Woking
17/01/2018, 0:41:16

A maior expectativa para a nova temporada está depositada sobre a maior escuderia da Fórmula-1 depois da Ferrari, a McLaren, que desde 2013 habita os porões da principal categoria do automobilismo mundial. Após o abandono dos motores da Mercedes e uma união desastrada com os propulsores da Honda, a McLaren uniu-se à Renault para voltar a ser grande. Tem tudo para dar certo!

Dona de 12 títulos de pilotos – Emerson Fittipaldi (74), James Hunt (76), Niki Lauda (84), Alain Prost (85, 86 e 89), Ayrton Senna (88, 90 e 91), Mika Hakkinen (98 e 99) e Lewis Hamilton (2008) e 182 vitórias (ante 15 títulos e 229 vitórias da Ferrari), a equipe inglesa foi fundada pelo neozelandês Bruce McLaren em 63, tendo feito sua estreia no GP de Mônaco de 66.

Bruce chegou a vencer corrida na F-1 a bordo de seu próprio carro, mas nunca conquistou o título, glória esta vinda pela primeira vez com Emerson. O neozelandês teve mais sucesso nas provas de Can-Am (campeonato de protótipos disputado no Canadá e nos EUA). A morte de Bruce, em 70, quando já era um importante construtor na F-1, ocorreu em uma sessão de testes no circuito inglês de Goodwood, em 2 de junho, com o carro da Can-Am. O piloto tinha 33 anos. A tragédia de Bruce não permitiu que ele visse todas as grandes transformações e revoluções promovidas por sua equipe.

Entre as grandes escuderias, a McLaren – nascida com o laranja pintado nos carros, utilizado também no ano passado – foi a que mais usou cores diferentes, começando pelo branco do patrocinador Yardley em 72 e 73, o vermelho e branco da Marlboro de 74 a 96, o prateado da Mercedes (fornecedora de motores) de 97 a 2002, o inox espelhado de 2003 a 2006 e o cinza e vermelho da Vodafone e do Santander de 2007 a 2013.

O preto e o cinza decoraram o carro de 2014 a 2016 e finalmente a cor original voltou em 2017. Essas duas últimas pinturas vieram pela completa inexistência de patrocínios principais. Para este ano, a direção da McLaren confirma que a equipe não terá o laranja. As “baratinhas” de Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne serão pintadas conforme as características e a logotipia da empresa que pagar a conta da temporada.

Atualmente com uma imponente sede em Woking, no condado de Surrey, a 37 quilômetros do centro de Londres, a McLaren não produz apenas a máquina da Fórmula 1 no complexo. De lá, saem, como na Ferrari, superesportivos de rua, destinados apenas para quem tem uma conta bancária recheada de dólares.

Ligada aos três campeões brasileiros – Nelson Piquet fez sua primeira prova na F-1 com um McLaren alugado, em 78 -, a equipe inglesa, a partir do Project 4 e a entrada do bilionário Mansour Ojjeh como acionista majoritário, posto que o saudita ocupa até hoje, promoveu em 82 uma das mais importantes revoluções do automobilismo: o emprego da fibra de carbono na construção dos carros, material mais resistente e leve que o alumínio. Com isto, o cockpit – a célula de sobrevivência do piloto – passou a ser chamado de “o lugar mais seguro do planeta”.

Com tantas glórias e fatos marcantes na F-1, a McLaren não poderia ficar mais um ano como simples coadjuvante. Permanecer indefinidamente no grid somente como um espectro do passado, graças a Ojjeh, dinheiro nunca seria um problema. Entretanto, a McLaren quer mais, precisa ser mais.

A maior prova disto foi a presença de Ojjeh do GP dos EUA do ano passado. O dirigente saiu de seu palácio na Arábia Saudita com uma missão apenas: acabar com a aliança McLaren/Honda, prevista para durar por mais alguns anos. Ojjeh bateu forte na mesa, rasgou o contrato com os japoneses e enviou um ultimato para Woking: “a McLaren tem de voltar a ser protagonista”.

Já não era sem tempo… A McLaren é muito importante para a Fórmula 1, e não pode ficar se arrastando feito alma penada pelo grid.

 

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