Fórmula 1

Fórmula 1 – Lágrimas de crocodilo inundam a Malásia

Vendo o infortúnio de Vettel no Autódromo de Sepang, Hamilton e a Mercedes se solidarizam com a Ferrari. Ninguém acreditou!

Autor: Daniel Dias
Fotos: Divulgação

lewis hamilton fórmula 1
2/10/2017, 23:24:29

A expressão “lágrimas de crocodilo” se originou a partir da observação do comportamento dos crocodilos na natureza. Ao capturar uma presa, esses répteis mordem-na com força e comem-na sem mastigar, engolindo-a inteira. Para isso, precisam abrir muito a boca, o que faz com que a sua mandíbula comprima suas glândulas lacrimais, fazendo-o lacrimejar. Por isso, o crocodilo parece chorar sempre que está devorando a sua caça. A expressão surge da ideia do crocodilo aparentar lamentar pela morte de sua caça, quando na verdade só está tentando devorá-la o mais rápido possível. Suas lágrimas são mecânicas, ou seja, com total ausência de emoções ou sentimentos.

Depois da quebra do motor de Sebastian Vettel antes do treino de classicação para o GP da Malásia da Fórmula 1, disputado no último domingo, Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes, e Lewis Hamilton entraram nas redes sociais para consolar e lamentar a sequência de azar do oponente da briga pelo título da temporada. Embora as intenções possam ter sido verdadeiras, ninguém acreditou na sinceridade das manifestações dos homens da Flecha de Prata.

Este tipo de sentimento de solidariedade entre rivais não é artigo raro na Formula 1. É inexistente. Simples assim! Ainda mais em se falando de Ferrari e Mercedes, duas oponentes ferrenhas e históricas. Se uma enviar flores para a outra, podem ter certeza de que “tem coisa” aí!

Esta peleja toda não começou ontem. Lá se vão mais de oito décadas de chão. Tudo começou nos anos imediatamente anteriores à Segunda Guerra Mundial, quando Enzo Ferrari resolveu fundar sua escuderia sob a chancela da Alfa Romeo. Convidando Tazio Nuvolari, o maior piloto daqueles tempos, para conduzir seus carros vermelhos, o futuro Comendadore bateu de frente com a equipe alemã, a Flecha de Prata pioneira.

Foram batalhas épicas, que alimentaram a rivalidade entre italianos e alemães e criaram uma aura de surrealismo e de imaginário popular, acima da competição. Em uma das mais famosas batalhas, em Reims, na França, Nuvolari conseguiu a vitória praticante na linha de chegada. Polidamente, o piloto alemão foi cumprimentar Enzo na festa da conquista italiana, recebendo um deboche do rival.
Alguém tem de ganhar e alguém tem de perder, a vida é assim – disse Ferrari, sorrindo para o alemão, que bateu os calcanhares a la soldado da Gestapo e saiu de cena.

Portanto, a solidariedade da Mercedes manifesta no circuito de Sepang, no sábado passado, não tem nada de sincera, mesmo que Wolff e Hamilton tivessem as melhores intenções naquele momento. A história de brigas encardidas não permitiria verdade no gesto do dirigente e do piloto. Como seria igual vindo da Ferrari em um infortúnio de Hamilton.

E a dupla da Mercedes teria engolido as palavras a seco se tivesse visto no sábado o desenrolar da corrida no domingo. Enquanto Hamilton partia da pole position e Vettel, da última posição, o inglês via suas chances de vencer, e se aproximar mais do título, ir por água abaixo com o holandês Max Verstappen “engolindo” a Mercedes já no começo da prova e seguindo para o topo do pódio. Neste ínterim, Vettel fazia uma corrida espetacular, passando todo mundo e completando o GP da Malásia em quarto. Uma façanha!

Na Fórmula 1, inimigo não envia condolências. Executa o rival quando esse está mais fragilizado. Enzo e os crocodilos foram mais sinceros…

 

Veja também:

Fórmula 1 – Hamilton, Piquet e a arte perdida de acertar carros

 

Confira a página de “Dias ao Volante.Carros” no Facebook, em www.facebook.com/DiasaoVolante.Carros

COMENTÁRIOS