Fórmula-1

Fórmula-1 – Feliz 2018 sem brasileiros – e vida que segue

Pela primeira vez em 48 anos, o Brasil não terá um piloto no grid – mas não será o fim do mundo!

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

emerson 70 fórmula-1
19/12/2017, 19:37:55

Depois de 48 anos, o Brasil não terá um piloto no grid de largada em uma temporada da Fórmula-1. Desde a entrada de Emerson Fittipaldi, hoje com 71 anos, na principal categoria do automobilismo no GP da Inglaterra de 1970 – com a Lotus vermelha e dourada da foto –, o país sempre teve pelo menos um representante. Com a segunda e, espera-se, definitiva aposentadoria de Felipe Massa no GP de Abu Dhabi, neste ano, as cores verde-amarelo terão de esperar uma nova geração para poder estampar a lateral de um carro no circo.

A aventura gloriosa do Brasil na F-1 – com oito títulos, ficando atrás apenas da Inglaterra e da Alemanha –, no entanto, não teve início com Emerson no começo da década de 70, mas sim com Chico Landi no despertar da F-1. O lendário piloto brasileiro participou de algumas etapas de 51 a 56, inclusive sendo o primeiro do país a guiar uma Ferrari. Na sua última etapa na F-1, Landi terminou em quarto lugar no GP da Argentina, ganhando 1,5 ponto (o primeiro ponto brasileiro no Mundial).

Embora a presença de Landi tenha significado um importante passo para o Brasil no panorama mundial, na prática, foi mesmo Emerson quem colocou o nome do país em evidência. Venceu os campeonatos em 72 e em 74, intercalados com dois vices, e abriu o caminho para mais seis títulos brasileiros, três com Nelson Piquet e três com Ayrton Senna.

Para quem se incomoda pelo fato de não ter brasileiros no grid em 2018 – e para tranquilizar a quem acompanha a F-1 independentemente disto –, o país foi protagonista durante os 47 anos apenas nas vezes em que nossos três campeões estiveram em ação e na temporada de 2008, na qual Massa efetivamente disputou o título, contra Lewis Hamilton. Fora isto, o Brasil foi coadjuvante.

Há quanto tempo a Itália, por exemplo, não tem um piloto de destaque na Fórmula-1? Aliás, o país europeu, terra da Ferrari, não tem nenhum corredor na categoria há anos! Nem por isto a Fórmula-1 deixa de ter a importância que realmente tem para os italianos.

O mesmo acontece com a Argentina. Donos da primeira década do Mundial, com cinco títulos de Juan Manuel Fangio, de 51 a 57, os argentinos continuam enaltecendo a Fórmula-1. Mesmo sem um piloto na categoria, os hermanos gostam mais de automobilismo que os próprios brasileiros.

Sem campeonatos-escola – a Stock Car é ótima, entretanto, se esgota nela mesmo -, o Brasil poderá ter de aguardar um bom tempo para ver novamente outro piloto com destaque na Fórmula-1. E não será o final dos tempos!

Se o assunto for levado para o lado do protagonismo, a trajetória do Brasil terminou na Fórmula-1 no acidente fatal de Senna, em 94. Rubens Barrichello veio em seguida, cambaleando entre Jordans e Stewarts, até chegar à Ferrari, em 2000.

Lá, encontrou Michael Schumacher como companheiro. Rubinho conquistou a maioria de suas 11 vitórias na equipe italiana, porém, foi eterno coadjuvante. Tirando 2008, Massa também foi sempre “escada” de um companheiro estrangeiro na Ferrari. Ganhou 11 corridas, mas nunca foi protagonista.

O Brasil tem uma história maravilhosa na Fórmula-1, com seus três campeões e com seu GP. Interlagos é um dos principais e mais tradicionais do calendário. Dos títulos e dos tempos de protagonismo, sim, o torcedor deve sentir falta e comemorar toda vez que lembrar. Por outro lado, ter um representante da F-1 só por ter? Não! Emerson, Piquet e Senna não merecem isto.

Vida que segue…

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