Fórmula 1

Fórmula 1 – Em nome do pai

As conquistas, as peripécias e as desventuras dos herdeiros dos pilotos da Fórmula 1

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

gilles e jacques Fórmula 1
9/01/2018, 22:25:25

Filhos e parentes próximos frequentemente costumam seguir os passos profissionais de seus pais. Natural, pela proximidade com determinados universos profissionais. No automobilismo, não é diferente. A Fórmula 1 é recheada de clãs.

Emerson Fittipaldi embarcou na sua aventura rumo ao sonho da F-1 em 1969. Quando o nosso “Rato” bicampeão abriu as portas, o seu irmão mais velho, Wilsinho, acompanhou os passos do mano ilustre, assim como o amigo de ambos José Carlos Pace, morto em um acidente aéreo no interior de São Paulo em 77.

Nelson Piquet papou três títulos na Fórmula 1 e plantou o sobrenome da mãe no coração de todas as equipes, graças à genialidade, ao grande conhecimento técnico e à interação estreita com os mecânicos do tricampeão. Nelsinho Piquet veio depois, trazendo grande bagagem de categorias menores e um talento notável.

No entanto, o segundo Piquet da Fórmula 1 colocou tudo a perder no famigerado episódio de “Cingapura Gate”, em 2008, no qual topou participar da tramoia inventada por Flavio Briatore para beneficiar o primeiro piloto da Renault, o espanhol Fernando Alonso.

O próprio Nelsinho confessou a participação para o pai tempos depois. Revoltado, Piquet botou a boca no mundo. A FIA baniu Briatore da Fórmula 1 para sempre. Associado a artimanhas e jogo sujo, Nelsinho nunca mais conseguiu outra equipe para continuar na Europa. O filho do tricampeão foi encontrar guarida nos EUA.

Bruno, sobrinho de Ayrton Senna, teve o caminho para chegar à Fórmula 1 escancarado pelo sobrenome. No caso do clã Senna, no entanto, o que faltou foi talento. Bruno jamais mostrou qualquer coisa parecida com o que o tio fez, e naturalmente teve de procurar outros caminhos.

Apesar de ser uma tradição nas pistas, um nome famoso nem sempre garante o sucesso. Mas facilita, claro! É o caso específico do inglês Damon Hill, um obscuro piloto de equipes menores e que ganhou a grande chance na carreira com a morte de Senna, em 94. Damon assumiu as rédeas da Williams e conseguiu ser campeão em 96, passando a ser o primeiro filho de campeão – Graham Hill – a também vencer o Mundial.

Algumas décadas depois, o alemão Nico Rosberg, filho do finlandês Keke Rosberg, campeão em 82, seguiu as pedras de Damon e venceu o campeonato de 2016, com a Mercedes, ganhando o duelo contra o companheiro Lewis Hamilton.

Do Canadá, vem o mais recente episódio envolvendo pais e filhos. Jacques Villeneuve, que conquistou o título não conseguido pelo pai Gilles, em 97, pela Williams, transformou-se no mais ferrenho crítico do canadense Lance Stroll, companheiro de Felipe Massa no ano passado.

Aparentemente, Jacques não dá motivos palpáveis para tamanha aversão pelo jovem piloto de 19 anos. Talvez a razão certa venha do pai de Stroll, um milionário empresário canadense que, entre outros extravagâncias, é um colecionador de Ferraris de rua.

Jacques tinha 11 anos quando Gilles morreu (os dois aparecem na foto desta reportagem, com o menino fazendo careta no box da Ferrari). Com essa idade, uma criança já sabe bastante sobre o seu mundo. Brilhante piloto e um irresponsável completo, Gilles abrilhantou a Fórmula 1, colocando seu nome no coração dos ferraristas para sempre. Entretanto, não tinha juízo.

O filho Jacques viu as loucuras do pai. A pilotagem do filho foi na contramão do mito, com atuações seguras, o título na Indy e nas 500 Milhas e o da Fórmula 1, com a Williams. E terminou aí! Depois de conquistar o campeonato de 97, Jacques “virou o fio”, ficando mais um ano na equipe inglesa e abrindo uma outra como sócio, a BAR.

A partir daquele momento, Jacques teve outro tipo de comportamento, nas pistas e nos bastidores, tanto que destruiu a trajetória do brasileiro Ricardo Zonta, seu companheiro na BAR, por pura birra. Como comentarista, o Villeneuve campeão mantém a posição de “bad boy”, herdada quando saiu da Williams. É bem provável que Freud possa explicar sua irritação com o pobre Stroll.

 

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