Fórmula 1

Fórmula 1: “Carro bonito é o que vence”

Para Hamilton, os modelos de 2018 serão os mais feios da História. Pelo outro lado, a roda da evolução tecnológica para salvar vidas não pode parar de girar

Autor: Daniel Dias (www.diasaovolante.com)
Fotos: Divulgação

red bull halo Fórmula 1
4/12/2017, 21:20:00

Enzo Ferrari costumava dizer: “carro bonito é o que vence”. Difícil contrariar mais esta máxima do “vecchio comendadore”.

Pois o tetracampeão Lewis Hamilton disparou contra os modelos da Fórmula 1 da próxima temporada:
– “Teremos os carros mais feios da História. Além disto, serão muito pesados. A F-1 deveria ter os melhores carros do mundo e não uns que mais parecem um Nascar”.

Exagero do inglês! Os próximos modelos do Mundial não têm nada a ver com os “carroções” da categoria norte-americana, verdadeiros tanques de guerra sobre rodas. Mas Hamilton não deixa de ter um pouco de razão. Os carros de 2018 terão o tal do Halo (a geringonça perto da cabeça do piloto da primeira foto desta reportagem). É muito feio! Além de serem, de fato, 35 quilos mais pesados.

Quanto ao segundo detalhe, uma consequência imediata: os pilotos terão de adiantar a zona de freada, tornando os tempos de volta mais altos, com o agravante de sobrecarregar os freios. Nenhum piloto gosta disto. Em relação ao Halo, cabe uma discussão automobilística filosófica.

É justo só a partir da segunda década do novo milênio os mandatários da Fórmula 1 se preocuparem com a integridade da cabeça do piloto? Um carro tipo fórmula tem suas características, e todo o corredor que se aventura nesta jornada sabe dos riscos: o bólido-fórmula tem os pneus à mostra e o cockpit é aberto, sujeito a um carro “aterrissar” sobre um outro, como ocorreu com Fernando Alonso na largada do GP da Bélgica de 2012, na qual a Lotus do francês Romain Grosjean decolou em quase caiu sobre a Ferrari do espanhol, ou a um arremesso da ponta de uma suspensão sobre a viseira do capacete, que matou Ayrton Senna em 1994.

Pensando-se unicamente na vida do piloto, é evidente que a entrada do Halo é bem-vinda. No entanto, o carro da principal categoria do automobilismo começa, assim, a perder a condição de ser um fórmula.
A construção de um Fórmula 1 sempre esteve ligada à estética, embora os aficionados acabem se acostumando com as pequenas aberrações surgidas de tempos em tempos, como por exemplo, os modelos de 2009 a 2016, com o aerofólio traseiro colocado muito para cima e o dianteiro enorme, a la limpa-trilhos de trem.

Na conjunção carro bonito com carro vencedor, o maior ícone é também um dos modelos mais importantes de toda a trajetória da Fórmula 1, surgida em 1950: a Lotus 72, idealizada pelo gênio Colin Chapman em 1970.

Só para se ter uma noção exata do significado da “barata” que deu o primeiro campeonato para o Brasil, em 72, para a Fórmula 1, um dado impressionante: os carros como o circo conhece atualmente têm as linhas básicas da Lotus 72, de tão revolucionária que ela foi para a época.

Considerado também o mais bonito da história da Fórmula 1, aquele carro preto e dourado de Chapman uniu o belo com o vencedor. Por todas as soluções aerodinâmicas e pelas conquistas, aquela Lotus teve uma longevidade de seis anos, algo impensável para os dias de hoje.

Hamilton talvez tenha razão no seu julgamento sobre os modelos de 2018. Porém, no outro sentido desta rodovia estão dois itens essenciais: a segurança e a modernidade. Nisto, não dá para se esquecer que os primeiros carros da Fórmula 1 não tinham cinto de segurança, os pneus eram estreitos quanto os de uma bicicleta, adotavam a prosáica forma de um charuto e a proteção da cabeça dos pilotos era uma touca de couro. A roda da modernidade não pode parar de girar.

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