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“Fifa 17” e as reinações de Alex Hunter

Nova versão do game de futebol da EA inova ao criar um “modo história”

Autor: Marcelo Iglesias (contato@gamecoin.com.br)
Fotos: Divulgação

26/09/2016, 12:31:38

Fifa 17” acabou de chegar ao mercado para reeditar o clássico duelo com o arquirrival “PES 2017”. A bipolaridade pela hegemonia entre os games é uma das mais acirradas da indústria – se compara apenas à briga entre “Call of Duty” e “Battlefield”. O game da Konami até tentou sair na frente, assinando com o Barcelona, Arsenal e outros clubes de prestígio. Mas, em 2017, o arquirrival da Electronic Arts deslanchou.

No quesito gráficos, ano passado o PES levou vantagem, com inovações em termos de captura de imagem, e, consequentemente, jogadores mais realistas que no “Fifa 16”. Precisando “virar o jogo”, a EA assinou com a Frostbite Engine”, que foi responsável pelos gráficos de “Battlefield”, da própria EA. Com essa parceria, o “Fifa 17” ganhou um nível de realismo superior ao concorrente. Tanto que, inclusive para as poderosas RAM do PS4 e do Xbox One, o jogo às vezes pesa.

Outro diferencial entre os jogos é que, nessa edição, o PES vem com uma série de clubes de peso com nomes genéricos (o famoso Chelsea, por exemplo, recebe o nome de London FC no jogo), já que as ligas espanhola e inglesa fecharam acordos de exclusividade com a EA. Nem todos os times dessas divisões têm nomes genéricos, já que alguns assinaram contratos em separado com a Konami – Barcelona e Arsenal têm seus nomes oficiais no game. Por outro lado, no Brasil, o PES possui os direitos do Brasileirão, ao passo que o “Fifa 17” conta com atletas de nomes “tabajara”.

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Em meio a tantas inovações, o que mais surpreende no “Fifa 17” é o modo “The Journey”. Nesse “modo história”, o gamer encarna Alex Hunter, garoto negro de 17 anos que tem que passar pela “peneira unificada da federação inglesa, junto com seu amigo de infância, Gareth Walker. Caso passe nesse teste, Hunter pode escolher qualquer clube da Premier League para atuar – nessa primeira edição do jogo, o jovem pode apenas jogar na divisão inglesa. E, além disso, ele só pode jogar no ataque. Participando de pré-temporadas, Alex “topa” com medalhões do jogo, como Di Maria, Marco Reus e James Rodriguez. Hunter ganha chances de entrar nas partidas e, a partir daí, o jogador precisa mostrar serviço dentro de campo e diplomacia fora das quatro linhas.

A jogabilidade dentro de campo segue o mesmo padrão das demais edições. É possível selecionar comandar o time todo, ou apenas o personagem. E dá para monitorar o desempenho do inglês pela sua nota em campo, que aparece durante o jogo. Caso Hunter supere as expectativas de seu técnico, as chances de dias de sol são maiores.

Fora de campo, Alex vive todas dores e delícias de ser um jovem jogador de um clube de ponta. Hunter precisa dar entrevistas, ser diplomático, resolver pecuinhas, viver a vida de celebridade e tudo mais que faz um atleta em ascensão. Nesse modo, a jogabilidade segue o padrão dos “adventures” da Telltale Games, com diálogos e decisões com diversas opções de escolha, mas com consequências para cada uma delas. O jogador pode escolher entre três opções de respostas: uma mais “furiosa”, que rende a ele mais seguidores e piora sua relação com o técnico. A outra, mais “cool”, tem efeitos contrários. E, por último, Hunter pode responder de forma neutra, garantindo estabilidade nos dois quesitos. Dessa forma, o jogador tem que balancear suas respostas para conseguir seguidores – e, consequentemente, fama – e também se entrosar bem com seu técnico, para se garantir no time principal.

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O “reality show de “Fifa 17” é uma evolução dos diversos modos de carreira de demais games da Electronic Arts, em que o jogador criava um desportista e seus desempenhos davam acessos na progressão do jogo. “Madden NFL 10”, “Nascar 08” e “F1 2006” foram games que tiveram bons mecanismos de carreira, capazes de prender a atenção. A dificuldade de se realizar um modo história em um game de futebol é pela quantidade gigantesca de clubes e países filiados ao game. Por isso, “The Journey” é basicamente um modo “preso” à inglesa Premier League.

No entanto, a “novelinha Alex” é divertida num primeiro momento, mas se torna previsível, uma vez que o jogador sabe que em cada pergunta há armadilhas que podem comprometer o desfecho da história. Daí, basta ser “vaselina” e acertar na pontaria para que Hunter tenha uma carreira impecável.

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